— Pare de falar. - Manda, curto e grosso. Não que eu mereça gentileza nesse momento. Sua mão vira o volante e dobramos para a pequena rodovia que nos levará para casa. — Sou eu, preciso de um favor. - Diz e murmurinhos masculinos ecoam do outro lado da linha. — É, esse tipo de favor. Te envio os detalhes por mensagem.
A ligação é desligada e o telefone volta para o bolso. O pessoal dele. Não o do trabalho, que ele deveria usar sempre que está comigo.
— Que tipo de favor? - Pergunto, segurando firme no banco de couro bege, cravando as unhas nele na curva aberta da rodovia. A tela no painel acende com dois botões, um verde e um vermelho e o nome de papai piscando a cada toque reverberando pelo interior do carro. Matteo poderia apertar o botão na direção, mas escolhe puxar o segundo celular do outro bolso e levá-lo à orelha.
— Alô? - Seus olhos se reviram e se fecham pelo instante em que aperta o volante, as articulações esbranquiçadas. Ele pragueja em silencio, apenas movendo a boca em