O brutamontes meneia com o queixo para o meu kit de insulina sobre a escrivaninha e o sigo. Sento-me na poltrona virada para ele, ponho o chocolate de lado e o assisto minuciosamente a preparar o aparelho com uma fitinha e a microagulha. Quando nasci, meus pais tiveram a oportunidade de tentar me adaptar com o sensor que mediria a glicemia diretamente. Um botão plástico no meu braço e os níveis apareceriam na tela de um celular. Porém, eu sempre o tirava e como a Cecy bebê não reclamava das picadinhas nos dedos, decidiram ficar com o método arcaico.
Estico o indicador, o cotovelo apoiado no braço do móvel confortável. Matteo o segura gentilmente e pressiona a agulha em um piscar. A gota vermelha brota e ele posiciona a fita, que a suga. Vemos o sangue subir por ela e chegar no sensor do aparelho. O visor pisca três vezes e a tela se ilumina em amarelo. Sei o que significa: Atenção. Açúcar caindo. Você pode ter uma síncope a qualquer segundo. Essas merdas todas.
— Droga, eu não percebi