Tomei o banho mais longo da minha vida. Aparentemente, sangue e pele são como chiclete e cabelo, grudam e não saem sem esfregar muito, ou no caso do cabelo, cortar. Só que eu não podia cortar pedaços de mim fora, então apenas esfreguei cada centímetro com a bucha e sabão de baunilha. Depois, segui o conselho do brutamontes e coloquei um pijama fofinho, porque queria conforto e também, porque queria esconder o corte e os hematomas dos punhos se papai perguntasse quando viesse me ver.
E ele viria em algum momento. Escolhi um conjunto canelado de tecido fininho e mole, macio como algodão, rosa com corações minúsculos cinzas estampados por todos os lados. Subi a calça comprida para cima do umbigo e puxei as mangas até as mãos. Dois dedos da pele da barriga ficam expostos, mas não me incomodo. Por último, escovei meus cabelos e passei o perfume que sei que ele gosta. Talvez, a bronca fosse menor se o manipulasse com esses pequenos detalhes. A imagem de uma garotinha arrependida, com os cab