É a décima vez que estou descendo para o chão com os braços erguidos e os punhos cruzados acima da cabeça e é a décima vez que minha coxa lateja, conforme as separo em dois tempos rápidos. Os joelhos doem com os golpinhos e sento nos calcanhares, deslizando os dedos pelas curvas do corpo.
“Favorite” de Isabel LaRosa ecoa pelo quarto. Sinto cada batida, cada acorde da melodia deliciosa irradiar pelos nervos sob a pele quente. Ergo o corpo usando os pobres dos joelhos, já com hematomas, e o corte envia uma pontada dolorida quando as coxas batem uma na outra. As separo para girar, ar articulações escorregando contra o chão. Jogo os cabelos em um mergulho para frente e empino o quadril para cima, deixado o corpo derreter até os seios tocarem o piso e depois a barriga.
O refrão termina, mas a música continua. Estou dolorida e arfando, por isso giro para encarar o teto e apenas respiro, contando as pulsações nos ouvidos, alto como um tambor. Meu útero deu uma trégua com as cólicas, mas Andr