Mundo de ficçãoIniciar sessãoUma fêmea destinada que passou toda sua vida em um prostíbulo, com um grande segredo cercando sua existência. Um macho assassino que veio de longe. "Abri os olhos. Ele estava imóvel. A ponta de uma espada atravessava seu peito. Não consegui gritar. Ele caiu para o lado, morto." E atrás dele... ele surgiu. O forasteiro. — Eu ganhei você, fêmea. Você é minha por direito. Ele não é um herói, muito menos seu salvador. Ele é o monstro das histórias de terror Que só quer uma coisa: Ela. Ele não vai pedir Mais sim tomá-la para si. — Agora você pertence a um lobo Cassius.
Ler mais— Ajustem bem os vestidos, e não esqueçam de mostrar mais os seios. Os machos que vêm aqui querem ver as coisas. — Bercy, uma velha carrancuda de expressão séria, ordenou.
Ela se voltou para mim, o salão parecendo pequeno com seus olhos ríspidos em mim. Prontamente, segurou meu queixo e examinou meu rosto. — Que machucado é esse em seu rosto, Rose? Eliza, que estava no canto da sala, riu com as outras. — Eu caí, tia Bercy. — Caiu? — Sim. Ela bufou e olhou para Eliza, depois para mim. — Quão destrambelhada você é para cair e se ferir assim? — Sabe como ela é, tia Bercy. Sempre caindo, sempre se machucando. Sempre sendo a idiota. — zombou Eliza. Apertei as mãos sobre o colo. Queria tanto quebrar os dentes dela, fazê-la sentir dor. Mas eu não podia. Ela havia deixado claro o porquê. Bercy se afastou. — Não fique se machucando, Rose. Você é a joia preciosa do mestre Theodor. Eu não quero levar a culpa por nada. Assenti. — Hoje você ensinará as novatas sobre o salão. Explique a elas como funciona aqui. O que é esse lugar, Rose? — Uma casa de prazer. — Um prostíbulo — corrigiu ela, ríspida. — Fale o nome certo. — Sim, tia Bercy. Ela se enrijeceu. — E sem histórias tolas. Não encha a cabeça das novatas com mentiras. Ou você vai voltar para o porão. Estremeci. Eu tinha medo. Tanto medo daquele lugar. — Dispensadas. Seguimos todas para cima. A noite seria cheia e longa. A grande lua cheia era o período onde os lobos mais vinham o desejo por liberação era intenso, quase necessário. Enquanto subíamos as escadas, uma das meninas novatas se aproximou. Ela era pequena, de cabelos castanhos escuros. Tinha pena dela e das outras; aquele lugar era o inferno. — Por que não contou para a tia Bercy que Eliza bateu em você? Neguei com um leve sorriso, tentando ser casual. — Não foi nada. Eliza sempre faz isso. Eliza, na verdade, havia ameaçado trancar a jovem em um quarto com cinco lobos se eu a denunciasse, e eu não podia deixar que aquilo acontecesse. A menina segurou minha mão. — Me conte uma história. Abri um sorriso. — Já ouviu falar sobre os companheiros destinados? Ela negou com a cabeça. — Companheiros são nossas almas gêmeas, nossos amores destinados pelos deuses desde o nascimento. Eles vivem por nós, nos salvam. Chegamos até nosso quarto e começamos a arrumar as camas bagunçadas. — Sabe como encontramos nosso companheiro? Ela negou, sorrindo. — Sentimos um arrepio na espinha, quase como um puxão. E então… sentimos um cheiro específico e quase ancestral. A jovem parecia encantada com a ideia. — Eu tenho fé que um dia meu companheiro virá me salvar dessa vida. Você vai ver… e o seu também. Havia esperança em seus olhos sonhadores, e aquilo me alegrou mais que qualquer coisa. — Companheiros? — Eliza zombou da porta. Sobressaltei. — Isso não existe. Você sabe. É tudo mentira dela, garota. Vivemos em uma casa de luas e o reino está destruído. Você vai morrer aqui. Vi o medo tomar conta da jovem. Me pus em sua frente. — Deixa ela em paz, Eliza. — Ah, ou você vai fazer o quê? — Eu vou quebrar esses seus dentes tortos, sua vadia. Sem pensar, ela partiu para cima de mim, pronta para me bater. — Eliza! — uma voz rugiu da porta. Ela parou no mesmo instante. Liam estava ali. Seus olhos azuis me encontraram. Suspirei. — Saia daqui, Eliza. Ou meu pai vai saber que está agredindo sua favorita. Eliza me encarou com ódio puro e sorriu. — Você ainda vai perder. Quando seu ciclo chegar e você deixar de ser esquisita, vai servir lá embaixo. Vai se deitar com os lobos como todas as outras. E então… vai deixar de ser “especial”, vadia. Engoli em seco. Tudo em meu corpo tremia. As palavras dela eram como lâminas. — É o que veremos. — sussurrei. Ela se foi. Liam me encarou. — Obrigada, Liam. — disse antes que ele se fosse. Devagar, ele se voltou para mim e assentiu. Eu odiava como ainda ficava vermelha em sua presença. Mas eu ainda tinha esperanças que ele… seria meu herói. --- A noite caiu sobre a Casa de Luas, e lá embaixo eu já podia ouvir o som dos lobos chegando, todos ansiosos por desejo e luxúria. Pus meu vestido e, em seguida, meu capuz sobre a cabeça. De repente, Theodor entrou no quarto. Sua postura elegante, rosto rígido e cabelos loiro-brancos. Aproximou-se de mim e tocou meu rosto. — Como combinado de sempre, fique em seu canto. Se algum lobo se aproximar, converse com ele, deixe que ele sinta o cheiro do seu dom. Minha garganta oscilou; um enjoo me tomou quando ele me tocou. — E se ele me quiser, mestre? — Não vai. Você é feia, magra, pálida. Mas eles gostam de conversar com você. E isso é bom. Vá. E não mostre seus cabelos. As palavras dele já não me machucavam mais. Eu sabia meu lugar. E era bom não ter que me deitar com ninguém. Alguns lobos, às vezes, vinham até mim, mas só queriam conversar. E, por alguma razão, sentiam-se melhor em minha presença. O salão estava cheio de machos; o cheiro de luxúria era forte e enjoativo. Segui até meu canto no salão escuro, sentei-me em uma mesa vazia, como sempre. Após alguns minutos, um lobo se aproximou. Estava bêbado, alto e rústico. Sentou-se ao meu lado. — Por que está de capuz, fêmea? — É surpresa. — tentei brincar. Ele tentou agarrar meu capuz, mas me afastei. O macho me fitou de cima a baixo. Seu cenho se franziu como se tivesse sentido algo. Estremeci; havia acontecido alguma coisa. — Você tem um cheiro diferente, fêmea. — É apenas… — Venha. Ele levantou-se com um sobressalto. Confusa, me empertiguei, buscando por Theodor. Aquilo nunca tinha acontecido. Ele agarrou minha mão, fazendo-me levantar. — Espere, por favor. — Não tem o que esperar. Eu quero você. Do outro lado do salão, Eliza no colo de um lobo, sorriu vitoriosa. Aquilo… era um plano dela? Tentei me afastar. Até que o macho parou de repente. Alguém tomou sua frente. Talvez fosse Theodor, mas eu olhei e não era. Era uma figura alta, encapuzada. Ele se colocou entre nós, impedindo a passagem do macho. — Sai da frente, caramba. O estranho ergueu a cabeça, olhando diretamente para o que me segurava. E algo quase ancestral gelou meu sangue. Tudo em mim ardeu e paralisou. — Eu quero ela. Disse o estranho e sua voz fez todo o salão parar.O macho andava alto e rígido à minha frente havia horas. Seus ombros largos sempre tensos, a cabeça direcionada para frente o tempo todo, como se estivesse esperando algo, se preparando.Meus pés e meus pulsos doíam muito. Eu não estava acostumada a andar. Havia passado a vida inteira na Casa de Luas; a maior distância que percorria era dos quartos até o lavabo.E já fazia quase um dia inteiro que seguíamos por entre aquela floresta negra e sem fim.Ele não falava nada. Não esboçava nada. Não desde que havia dito: “preciso de você.”E eu não fazia ideia do que aquilo significava.Antes ele queria me matar. Agora ele “precisava de mim”? Não fazia sentido.Meu corpo inteiro doía e eu já estava exausta.— Para onde estamos indo? perguntei.Não houve resposta. Nem sinal de que estivesse me escutando, mas eu sabia que estava.— É perigoso andar por essa região. O reino virou um lugar de bestas sanguinárias, e os machos não gostam de fêmeas andando por aí. Você é um alvo comigo.Mesmo ass
Fall*A cela estava escura, fétida e fria como sempre. Meu corpo inteiro doía, e meus pulsos já estavam vermelhos de tanto puxar as correntes de bronze.Ouvi um barulho no corredor escuro. Minha cabeça se ergueu devagar, instintivamente.Uma luz surgiu diante dos meus olhos uma vela acesa.Rosnei.— Acalme-se, meu prêmio. — A voz dela, melódica e viperina, ecoou pelos meus ouvidos.Meu corpo inteiro se retesou.— Eu tenho um trabalho para você. Quero que a encontre… mate-a… e traga seu coração para mim — ordenou.Seu perfume venenoso enchia meus pulmões doloridos.— Lembre-se: a vida da outra está em jogo. Se você falhar… eu arranco a cabeça da sua queridinha.Atirei-me para frente, rosnando, mordendo o ar. Pude ver seu sorriso branco e maligno.— Vá. Traga para mim.Foram as últimas palavras que escutei antes de partir… antes de esquecer meu último lado humano e abraçar apenas o monstro.Apenas o lobo.Até aquele instante.Com aquela fêmea debaixo de mim.Com aqueles olhos grandes e
Os machos me arrastaram com violência até a sala de estar. Jogaram-me no chão enquanto iluminavam meu rosto com um candeeiro.— Foi ela, pai, ela matou Marco — um dos lobos, com expressão furiosa, disse entre dentes.— Ela é cúmplice daquele forasteiro maldito! — apertei as mãos sobre o colo. Como eu podia estar passando por todas aquelas situações em tão curto período de tempo?— Onde está o seu amante, sua vadia? — o lobo mais velho, de expressão dura, tomou a frente. O pai de Marco, eu sabia.— Ele não é meu amante. Ele me sequestrou e está tentando me matar! Não fui eu quem feriu seu filho, por favor, acreditem em mim! — implorei.— Mentirosa! — o outro gritou. Estremeci de ódio. Por que eles eram tão burros? Começaram a falar entre si, me xingando e duvidando de mim. Aquilo me enfureceu intensamente. Não pude mais aguentar.— Vocês são surdos ou imbecis?! — gritei em fúria.— Por que eu estaria tramando contra vocês? Por que eu mataria Marco? Olhem para mim, vejam se uma fêmea co
"Corra, Rose, corra. Você tem um dom. Um lindo dom. Fuja dele, fuja, Rose... Fuja da besta..." Abri os olhos sobressaltada após ouvir minha mãe, e só então percebi que havia apagado. A tempestade caía intensa. E o macho ainda corria. Eu estava agarrada a ele, trêmula, ainda segurando o candelabro. Eu não podia acreditar que estava livre, longe do inferno que havia sido minha “vida” por tantos anos. Olhei confusa para a floresta, eu sequer sabia como estava o mundo fora das paredes da casa de luas. Ergui a cabeça e abri a boca, sorrindo quando senti as gotas de chuva tocando minha língua.Quando a tempestade diminuiu um pouco, o macho reduziu a velocidade e logo chegamos a uma espécie de caverna. Ele parou e me colocou no chão. O frio me atingiu imediatamente; minha roupa estava encharcada.Olhei para ele.— Obrigada por ter me salvado — sorri levemente. — Eu vivia lá desde criança. Eu... eu nem acredito que estou livre.Comecei a gargalhar.— Você me salvou.Ele se aproximou e tirou
Último capítulo