O lobo assassino e a fêmea destinada

O lobo assassino e a fêmea destinada PT

Lobisomem
Última atualização: 2026-04-15
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Uma fêmea destinada que passou toda sua vida em um prostíbulo, com um grande segredo cercando sua existência. Um macho assassino que veio de longe. "Abri os olhos. Ele estava imóvel. A ponta de uma espada atravessava seu peito. Não consegui gritar. Ele caiu para o lado, morto." E atrás dele... ele surgiu. O forasteiro. — Eu ganhei você, fêmea. Você é minha por direito. Ele não é um herói, muito menos seu salvador. Ele é o monstro das histórias de terror Que só quer uma coisa: Ela. Ele não vai pedir Mais sim tomá-la para si. — Agora você pertence a um lobo Cassius.

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Capítulo 1

capítulo 01

— Ajustem bem os vestidos, e não esqueçam de mostrar mais os seios. Os machos que vêm aqui querem ver as coisas. — Bercy, uma velha carrancuda de expressão séria, ordenou.

Ela se voltou para mim, o salão parecendo pequeno com seus olhos ríspidos em mim. Prontamente, segurou meu queixo e examinou meu rosto.

— Que machucado é esse em seu rosto, Rose?

Eliza, que estava no canto da sala, riu com as outras.

— Eu caí, tia Bercy.

— Caiu?

— Sim.

Ela bufou e olhou para Eliza, depois para mim.

— Quão destrambelhada você é para cair e se ferir assim?

— Sabe como ela é, tia Bercy. Sempre caindo, sempre se machucando. Sempre sendo a idiota. — zombou Eliza.

Apertei as mãos sobre o colo. Queria tanto quebrar os dentes dela, fazê-la sentir dor. Mas eu não podia. Ela havia deixado claro o porquê. Bercy se afastou.

— Não fique se machucando, Rose. Você é a joia preciosa do mestre Theodor. Eu não quero levar a culpa por nada.

Assenti.

— Hoje você ensinará as novatas sobre o salão. Explique a elas como funciona aqui. O que é esse lugar, Rose?

— Uma casa de prazer.

— Um prostíbulo — corrigiu ela, ríspida.

— Fale o nome certo.

— Sim, tia Bercy.

Ela se enrijeceu.

— E sem histórias tolas. Não encha a cabeça das novatas com mentiras. Ou você vai voltar para o porão.

Estremeci. Eu tinha medo. Tanto medo daquele lugar.

— Dispensadas.

Seguimos todas para cima. A noite seria cheia e longa. A grande lua cheia era o período onde os lobos mais vinham o desejo por liberação era intenso, quase necessário.

Enquanto subíamos as escadas, uma das meninas novatas se aproximou. Ela era pequena, de cabelos castanhos escuros. Tinha pena dela e das outras; aquele lugar era o inferno.

— Por que não contou para a tia Bercy que Eliza bateu em você?

Neguei com um leve sorriso, tentando ser casual.

— Não foi nada. Eliza sempre faz isso.

Eliza, na verdade, havia ameaçado trancar a jovem em um quarto com cinco lobos se eu a denunciasse, e eu não podia deixar que aquilo acontecesse. A menina segurou minha mão.

— Me conte uma história.

Abri um sorriso.

— Já ouviu falar sobre os companheiros destinados?

Ela negou com a cabeça.

— Companheiros são nossas almas gêmeas, nossos amores destinados pelos deuses desde o nascimento. Eles vivem por nós, nos salvam.

Chegamos até nosso quarto e começamos a arrumar as camas bagunçadas.

— Sabe como encontramos nosso companheiro?

Ela negou, sorrindo.

— Sentimos um arrepio na espinha, quase como um puxão. E então… sentimos um cheiro específico e quase ancestral.

A jovem parecia encantada com a ideia.

— Eu tenho fé que um dia meu companheiro virá me salvar dessa vida. Você vai ver… e o seu também.

Havia esperança em seus olhos sonhadores, e aquilo me alegrou mais que qualquer coisa.

— Companheiros? — Eliza zombou da porta. Sobressaltei.

— Isso não existe. Você sabe. É tudo mentira dela, garota. Vivemos em uma casa de luas e o reino está destruído. Você vai morrer aqui.

Vi o medo tomar conta da jovem. Me pus em sua frente.

— Deixa ela em paz, Eliza.

— Ah, ou você vai fazer o quê?

— Eu vou quebrar esses seus dentes tortos, sua vadia.

Sem pensar, ela partiu para cima de mim, pronta para me bater.

— Eliza! — uma voz rugiu da porta.

Ela parou no mesmo instante. Liam estava ali. Seus olhos azuis me encontraram. Suspirei.

— Saia daqui, Eliza. Ou meu pai vai saber que está agredindo sua favorita.

Eliza me encarou com ódio puro e sorriu.

— Você ainda vai perder. Quando seu ciclo chegar e você deixar de ser esquisita, vai servir lá embaixo. Vai se deitar com os lobos como todas as outras. E então… vai deixar de ser “especial”, vadia.

Engoli em seco. Tudo em meu corpo tremia. As palavras dela eram como lâminas.

— É o que veremos. — sussurrei.

Ela se foi. Liam me encarou.

— Obrigada, Liam. — disse antes que ele se fosse.

Devagar, ele se voltou para mim e assentiu. Eu odiava como ainda ficava vermelha em sua presença. Mas eu ainda tinha esperanças que ele… seria meu herói.

---

A noite caiu sobre a Casa de Luas, e lá embaixo eu já podia ouvir o som dos lobos chegando, todos ansiosos por desejo e luxúria.

Pus meu vestido e, em seguida, meu capuz sobre a cabeça. De repente, Theodor entrou no quarto. Sua postura elegante, rosto rígido e cabelos loiro-brancos. Aproximou-se de mim e tocou meu rosto.

— Como combinado de sempre, fique em seu canto. Se algum lobo se aproximar, converse com ele, deixe que ele sinta o cheiro do seu dom.

Minha garganta oscilou; um enjoo me tomou quando ele me tocou.

— E se ele me quiser, mestre?

— Não vai. Você é feia, magra, pálida. Mas eles gostam de conversar com você. E isso é bom. Vá. E não mostre seus cabelos.

As palavras dele já não me machucavam mais. Eu sabia meu lugar. E era bom não ter que me deitar com ninguém. Alguns lobos, às vezes, vinham até mim, mas só queriam conversar. E, por alguma razão, sentiam-se melhor em minha presença.

O salão estava cheio de machos; o cheiro de luxúria era forte e enjoativo.

Segui até meu canto no salão escuro, sentei-me em uma mesa vazia, como sempre. Após alguns minutos, um lobo se aproximou. Estava bêbado, alto e rústico. Sentou-se ao meu lado.

— Por que está de capuz, fêmea?

— É surpresa. — tentei brincar.

Ele tentou agarrar meu capuz, mas me afastei. O macho me fitou de cima a baixo. Seu cenho se franziu como se tivesse sentido algo. Estremeci; havia acontecido alguma coisa.

— Você tem um cheiro diferente, fêmea.

— É apenas…

— Venha.

Ele levantou-se com um sobressalto. Confusa, me empertiguei, buscando por Theodor. Aquilo nunca tinha acontecido. Ele agarrou minha mão, fazendo-me levantar.

— Espere, por favor.

— Não tem o que esperar. Eu quero você.

Do outro lado do salão, Eliza  no colo de um lobo, sorriu vitoriosa.

Aquilo… era um plano dela?

Tentei me afastar. Até que o macho parou de repente.

Alguém tomou sua frente. Talvez fosse Theodor, mas eu olhei  e não era.

Era uma figura alta, encapuzada. Ele se colocou entre nós, impedindo a passagem do macho.

— Sai da frente, caramba.

O estranho ergueu a cabeça, olhando diretamente para o que me segurava.

E algo quase ancestral gelou meu sangue.

Tudo em mim ardeu e paralisou.

— Eu quero ela.

Disse o estranho e sua voz fez todo o salão parar.

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