Mundo ficciónIniciar sesiónMeu corpo inteiro estava agitado. Ele era um assassino. O corpo de Marco estava ali no chão, como prova. Aquilo não podia estar acontecendo, não comigo. Olhei para a porta estava apenas um metro de distância. Se eu corresse, poderia escapar.
— Não precisa me machucar — tentei argumentar. — Ele trapaceou, você está certo. Mas... eu não tenho nada a ver. É a minha primeira vez fazendo isso, por favor... não faça nada comigo. Ele sequer olhou para mim. Apenas abaixou-se e começou a rolar o corpo de Marco para baixo da cama pequena. Era a minha chance, a única chance. Rapidamente, saltei para fora da cama e corri até a porta o mais rápido que pude. Mas não consegui sequer alcançar a maçaneta. Ele me puxou pelo calcanhar, jogando-me no chão. Arrastou-me como se eu fosse um saco de batatas e depois me jogou em cima da cama, ficando por cima de mim. Eu tentei gritar, mas ele pôs a mão em minha boca, segurando meus braços com uma única mão. Me debati, mas era inútil. Em comparação a mim, aquele macho era uma muralha. Ele olhou no fundo dos meus olhos. Eu não conseguia decifrar a cor. pareciam negros, selvagens. Um barulho soou no corredor. Passos. Ele tirou a mão da minha boca e se ergueu um pouco, soprando a vela que estava na cômoda ao lado da cama, deixando o quarto quase todo na penumbra. Depois voltou para mim. Seu rosto ficou a centímetros do meu. Seus lábios carnudos, quase rosados, chamavam atenção. — Se você gritar, eu corto sua garganta. Não era um blefe. Lentamente, ele abaixou a cabeça e se aproximou do meu pescoço. Eu podia sentir o calor de seu hálito, e aquilo me arrepiou inteira. — Geme pra mim. Arregalei os olhos. — O que...? — Geme pra mim agora. A porta do quarto se abriu. Da posição em que eu estava, consegui ver Theodor colocando a cabeça para checar. Eu não consegui raciocinar. Ele mordeu meu pescoço, fazendo-me soltar um som, não um grito comum, quase um gemido. Fiquei completamente vermelha e constrangida. A porta se fechou devagar, e Theodor se foi. Ele se afastou do meu pescoço e encarou meus olhos. Havia tanta coisa ali. raiva, mistério, algo primitivo mas eu não conseguia decifrar nada. Lentamente, seus olhos desceram para meus seios. E só ali lembrei que Marco havia rasgado meu vestido. Tentei me cobrir, e ao notar meu desespero ele saiu de cima de mim. Puxei o cobertor e me encolhi no canto da cama, enquanto ele seguia até a porta do quarto. — Quem é você? Ele não respondeu. Olhei para o sangue já seco no chão. — Assassinatos não são permitidos em casas de luas. Ele não parecia se importar. Caminhou até a janela, procurando uma forma de fugir. Voltei a olhar para a porta. Ele estava de costas. Era minha chance. Levantei da cama com calma, peguei o pequeno candelabro e o empunhei. Fui até a porta, mas então senti a lâmina de sua espada em minha garganta. Parei. — Quando eu mandar, você obedece, fêmea. — Eu... Uma batida na porta. Ele me puxou e tomou a frente, impedindo Theodor de entrar. — Rose! Está tudo bem aí? Seus olhos ferozes se voltaram para mim. — Está tudo bem, mestre — respondi, mas ele ficou em silêncio. Sabia que tinha algo errado. — É você, não é? O estranho. Você é um lobo... lobo Cassius. A aberração, a blasfêmia criada. Algo mudou no olhar do estranho. Uma sombra de dor. Fiquei tensa. — Deixe-a em paz! Ela é minha! Minha, você não vai levá-la de mim! Mais barulhos no corredor. Passos de outros lobos. Ele me encarou. Tudo dentro de mim gritava para correr, para lutar, para fazer qualquer coisa mas havia algo nele, algo que eu não entendia. Meu corpo reagia de um jeito impossível de controlar. E eu não sabia se aquilo era bom ou ruim. Antes que eu chegasse a uma conclusão, ele me puxou para junto de si. Chutou a porta, e os lobos vieram para cima. Eram uns cinco, que sequer tiveram tempo de se transformar. Ele cortou suas cabeças com simples movimentos da espada. Gritei apavorada enquanto corríamos pelo corredor. Mais lobos avançavam. O estranho não tinha misericórdia. Matava com uma agilidade anormal. Os corredores da casa de luas já estavam inundados de sangue e corpos. Passamos pelo salão; os lobos restantes decidiram que aquela não era a luta deles e recuaram. Saímos para fora. A lua, antes clara, estava coberta por uma nuvem carregada. Já estávamos quase na floresta quando Theodor surgiu gritando. — SOLTE-A, CRIATURA MALDITA! Um trovão cortou o céu. — Ela é minha! Minha Rose! Eu a peguei, eu a ensinei, eu a tenho! Seu dom é meu, tudo o que ela é, meu! Olhei para Theodor. Sua expressão até parecia amor, mas eu sabia: aquilo não era amor. Era posse. E eu estava com um assassino. Não sabia o que aconteceria comigo, mas tudo dentro de mim gritava que ele era melhor do que voltar. — Theodor, nos deixe ir, por favor! Ele negou. — Você pertence a mim, Rose branca! Avançou contra o estranho. O outro apenas se preparou e, antes que Theodor o atingisse, ergueu-o pelo pescoço e arrancou seu coração. Gritei em choque. O corpo de Theodor caiu no chão. — Ele... Ele não é bom, Rose. Ele não veio aqui... para salvá-la. Eu... eu sei sobre sua mãe, sobre... quem... você é. — sussurrou, o brilho deixando seus olhos enquanto a morte o levava. Eu não consegui nem sentir a morte dele. O estranho me segurou com força e me levou consigo, enquanto eu deixava para trás o que um dia tinha sido minha “casa”. Uma lágrima solitária escorreu pela minha bochecha. Mas eu não ousei chorar. Não por Theodor. Me agarrei ao estranho. Afinal, talvez fosse ele Minha salvação. Meu herói... Não era?






