Mundo ficciónIniciar sesión
— Ajustem bem os vestidos, e não esqueçam de mostrar mais os seios. Os machos que vêm aqui querem ver as coisas. — Bercy, uma velha carrancuda de expressão séria, ordenou.
Ela se voltou para mim, o salão parecendo pequeno com seus olhos ríspidos em mim. Prontamente, segurou meu queixo e examinou meu rosto. — Que machucado é esse em seu rosto, Rose? Eliza, que estava no canto da sala, riu com as outras. — Eu caí, tia Bercy. — Caiu? — Sim. Ela bufou e olhou para Eliza, depois para mim. — Quão destrambelhada você é para cair e se ferir assim? — Sabe como ela é, tia Bercy. Sempre caindo, sempre se machucando. Sempre sendo a idiota. — zombou Eliza. Apertei as mãos sobre o colo. Queria tanto quebrar os dentes dela, fazê-la sentir dor. Mas eu não podia. Ela havia deixado claro o porquê. Bercy se afastou. — Não fique se machucando, Rose. Você é a joia preciosa do mestre Theodor. Eu não quero levar a culpa por nada. Assenti. — Hoje você ensinará as novatas sobre o salão. Explique a elas como funciona aqui. O que é esse lugar, Rose? — Uma casa de prazer. — Um prostíbulo — corrigiu ela, ríspida. — Fale o nome certo. — Sim, tia Bercy. Ela se enrijeceu. — E sem histórias tolas. Não encha a cabeça das novatas com mentiras. Ou você vai voltar para o porão. Estremeci. Eu tinha medo. Tanto medo daquele lugar. — Dispensadas. Seguimos todas para cima. A noite seria cheia e longa. A grande lua cheia era o período onde os lobos mais vinham o desejo por liberação era intenso, quase necessário. Enquanto subíamos as escadas, uma das meninas novatas se aproximou. Ela era pequena, de cabelos castanhos escuros. Tinha pena dela e das outras; aquele lugar era o inferno. — Por que não contou para a tia Bercy que Eliza bateu em você? Neguei com um leve sorriso, tentando ser casual. — Não foi nada. Eliza sempre faz isso. Eliza, na verdade, havia ameaçado trancar a jovem em um quarto com cinco lobos se eu a denunciasse, e eu não podia deixar que aquilo acontecesse. A menina segurou minha mão. — Me conte uma história. Abri um sorriso. — Já ouviu falar sobre os companheiros destinados? Ela negou com a cabeça. — Companheiros são nossas almas gêmeas, nossos amores destinados pelos deuses desde o nascimento. Eles vivem por nós, nos salvam. Chegamos até nosso quarto e começamos a arrumar as camas bagunçadas. — Sabe como encontramos nosso companheiro? Ela negou, sorrindo. — Sentimos um arrepio na espinha, quase como um puxão. E então… sentimos um cheiro específico e quase ancestral. A jovem parecia encantada com a ideia. — Eu tenho fé que um dia meu companheiro virá me salvar dessa vida. Você vai ver… e o seu também. Havia esperança em seus olhos sonhadores, e aquilo me alegrou mais que qualquer coisa. — Companheiros? — Eliza zombou da porta. Sobressaltei. — Isso não existe. Você sabe. É tudo mentira dela, garota. Vivemos em uma casa de luas e o reino está destruído. Você vai morrer aqui. Vi o medo tomar conta da jovem. Me pus em sua frente. — Deixa ela em paz, Eliza. — Ah, ou você vai fazer o quê? — Eu vou quebrar esses seus dentes tortos, sua vadia. Sem pensar, ela partiu para cima de mim, pronta para me bater. — Eliza! — uma voz rugiu da porta. Ela parou no mesmo instante. Liam estava ali. Seus olhos azuis me encontraram. Suspirei. — Saia daqui, Eliza. Ou meu pai vai saber que está agredindo sua favorita. Eliza me encarou com ódio puro e sorriu. — Você ainda vai perder. Quando seu ciclo chegar e você deixar de ser esquisita, vai servir lá embaixo. Vai se deitar com os lobos como todas as outras. E então… vai deixar de ser “especial”, vadia. Engoli em seco. Tudo em meu corpo tremia. As palavras dela eram como lâminas. — É o que veremos. — sussurrei. Ela se foi. Liam me encarou. — Obrigada, Liam. — disse antes que ele se fosse. Devagar, ele se voltou para mim e assentiu. Eu odiava como ainda ficava vermelha em sua presença. Mas eu ainda tinha esperanças que ele… seria meu herói. --- A noite caiu sobre a Casa de Luas, e lá embaixo eu já podia ouvir o som dos lobos chegando, todos ansiosos por desejo e luxúria. Pus meu vestido e, em seguida, meu capuz sobre a cabeça. De repente, Theodor entrou no quarto. Sua postura elegante, rosto rígido e cabelos loiro-brancos. Aproximou-se de mim e tocou meu rosto. — Como combinado de sempre, fique em seu canto. Se algum lobo se aproximar, converse com ele, deixe que ele sinta o cheiro do seu dom. Minha garganta oscilou; um enjoo me tomou quando ele me tocou. — E se ele me quiser, mestre? — Não vai. Você é feia, magra, pálida. Mas eles gostam de conversar com você. E isso é bom. Vá. E não mostre seus cabelos. As palavras dele já não me machucavam mais. Eu sabia meu lugar. E era bom não ter que me deitar com ninguém. Alguns lobos, às vezes, vinham até mim, mas só queriam conversar. E, por alguma razão, sentiam-se melhor em minha presença. O salão estava cheio de machos; o cheiro de luxúria era forte e enjoativo. Segui até meu canto no salão escuro, sentei-me em uma mesa vazia, como sempre. Após alguns minutos, um lobo se aproximou. Estava bêbado, alto e rústico. Sentou-se ao meu lado. — Por que está de capuz, fêmea? — É surpresa. — tentei brincar. Ele tentou agarrar meu capuz, mas me afastei. O macho me fitou de cima a baixo. Seu cenho se franziu como se tivesse sentido algo. Estremeci; havia acontecido alguma coisa. — Você tem um cheiro diferente, fêmea. — É apenas… — Venha. Ele levantou-se com um sobressalto. Confusa, me empertiguei, buscando por Theodor. Aquilo nunca tinha acontecido. Ele agarrou minha mão, fazendo-me levantar. — Espere, por favor. — Não tem o que esperar. Eu quero você. Do outro lado do salão, Eliza no colo de um lobo, sorriu vitoriosa. Aquilo… era um plano dela? Tentei me afastar. Até que o macho parou de repente. Alguém tomou sua frente. Talvez fosse Theodor, mas eu olhei e não era. Era uma figura alta, encapuzada. Ele se colocou entre nós, impedindo a passagem do macho. — Sai da frente, caramba. O estranho ergueu a cabeça, olhando diretamente para o que me segurava. E algo quase ancestral gelou meu sangue. Tudo em mim ardeu e paralisou. — Eu quero ela. Disse o estranho e sua voz fez todo o salão parar.






