capítulo 05

Os machos me arrastaram com violência até a sala de estar. Jogaram-me no chão enquanto iluminavam meu rosto com um candeeiro.

— Foi ela, pai, ela matou Marco — um dos lobos, com expressão furiosa, disse entre dentes.

— Ela é cúmplice daquele forasteiro maldito! — apertei as mãos sobre o colo. Como eu podia estar passando por todas aquelas situações em tão curto período de tempo?

— Onde está o seu amante, sua vadia? — o lobo mais velho, de expressão dura, tomou a frente. O pai de Marco, eu sabia.

— Ele não é meu amante. Ele me sequestrou e está tentando me matar! Não fui eu quem feriu seu filho, por favor, acreditem em mim! — implorei.

— Mentirosa! — o outro gritou. Estremeci de ódio. Por que eles eram tão burros? Começaram a falar entre si, me xingando e duvidando de mim. Aquilo me enfureceu intensamente. Não pude mais aguentar.

— Vocês são surdos ou imbecis?! — gritei em fúria.

— Por que eu estaria tramando contra vocês? Por que eu mataria Marco? Olhem para mim, vejam se uma fêmea como eu conseguiria fazer algo contra ele! Vocês vão todos morrer se não me escutarem! — meu corpo inteiro tremia com solavancos desesperados.

Eles me encararam, surpresos. Talvez nenhuma fêmea tivesse falado com eles daquela forma antes. O lobo mais velho se agachou e ergueu meu rosto para que pudesse olhar para mim melhor. Logo, ele viu meus cabelos. E sua expressão endureceu.

— Deuses, ela é uma aberração! Vejam os cabelos dela — encolhi-me. Era como reviver o passado.

Os filhos se enrijeceram.

— Ela não vai contar a verdade, pai. Deixe que eu e Caio cuidemos dela — notei a malícia em sua voz.

— Façam o que quiserem. Só limpem a bagunça e depois joguem fora — eles assentiram, sorrindo, prontamente me tirando do chão e segurando meus braços.

— Não! Não, por favor, eu posso ser útil! Eu sou valiosa. Não precisa ser assim.

— Não, mas vai ser assim — o outro disse, vitorioso.

Me arrastaram para os fundos da cabana enquanto eu tentava desesperadamente me soltar. Chegamos a um quarto vazio e escuro, iluminado apenas por uma vela.

— Segure bem ela, Caio — ordenou o irmão mais velho.

Me sacudi, enquanto ele se colocava na minha frente.

— Você vai pagar. — rosnou.

Logo, ele começou a abrir a calça. Minha respiração acelerou. Sem aviso, aproximou-se e forçou um beijo, enfiando sua língua nojenta na minha boca. O ódio e a raiva me tomaram. Com força, cravei os dentes em sua língua, quase arrancando-a fora. Ele gritou, afastando-se de mim. Sua boca sangrava, o sangue pingando pelos meus lábios.

— Você vai queimar no inferno! Todos vocês vão! — gritei.

Ele desferiu um soco no meu rosto, me deixando zonza.

— Vai ser assim mesmo — ele se aproximou, prestes a me tomar.

Um silêncio mortal recaiu sobre a cabana, seguido por um uivo. Um uivo alto e intenso que atravessou o ar como uma lâmina afiada.

Os dois machos pararam de imediato. Abri os olhos devagar.

— É ele... — sussurrei sem voz.

Caio, que me segurava, começou a tremer.

— Esse... esse uivo não é natural, Peter — disse quase chorando.

— O que é isso?

— Não seja covarde, Somos lobos! — ordenou Peter.

Então, um grito seco ecoou.

— PAI! — Peter gritou.

E mais uma vez, o uivo.

Caio me jogou no chão. Olhei para ele: estava tremendo e se urinando de medo.

— Eles... eles não estavam extintos, Peter? Hein, Eles não estavam extintos?! — gritou em desespero.

O mais puro temor se estampava em seu rosto.

— SE ACALMA... — mas Peter não pôde terminar.

A porta foi escancarada com um estrondo, arrancando a cabeça dele com uma única patada.

Meus olhos se abriram. O mais puro medo tomou meu corpo. Ele era enorme. Uma besta cinzenta de mais de três metros, mesmo em quatro patas. Maior do que qualquer lobo em sua forma bestial.

— AHH! — Caio gritou, tentando se transformar, mas sem sucesso.

O monstro pulou sobre ele.

Enquanto ele perdia a vida, o instinto de sobrevivência falou mais alto. Mesmo fraca e cambaleando, levantei e corri, passando por ele. Avistei a janela mais próxima e me joguei por ela, tentando correr até a floresta.

Mas antes que eu pudesse alcançar a trilha, seus dentes se fecharam em meu tornozelo, me derrubando no chão. Ele me arrastou em sua direção, ficando por cima de mim em instantes. Seus dentes enormes pingavam o sangue dos lobos. Ele abriu a boca, pronto para me devorar. Para acabar com tudo.

Até que… algo voltou à minha memória.

"Você tem um dom, Rose… Fuja…"

A voz da minha mãe, mais uma vez.

Respirei fundo o medo e a angústia dentro de mim. Talvez fosse um palpite errado, mas eu não tinha mais escolhas. Ergui as mãos e coloquei uma de cada lado da sua cabeça. Ele se sacudiu, muito forte, me machucando. Mas eu não afastei as mãos. Precisava que ele sentisse. Seja lá o que fosse, era minha única chance.

Então, algo estalou dentro de mim. Como um clique.

Ele parou, imóvel como uma estátua. Seus olhos se fixaram nos meus. Pela primeira vez, ele não parecia um monstro.

Meu corpo inteiro se arrepiou. Uma lágrima escorreu pelo meu rosto. Talvez fosse o medo, talvez o desespero ou outra coisa, mas meus lábios se moveram vagarosamente e eu sussurrei:

— Você… você é meu companheiro...

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