Mundo de ficçãoIniciar sessãoDesde que eu havia chegado na casa de luas, Theodor me escolheu para ser sua protegida. Ele sentia em mim algo que eu sequer sabia ao certo o que era.
Mas mesmo que me livrasse da obrigação de me deitar com os machos por ainda não ter alcançado minha maturidade, mesmo já tendo dezenove anos. ele sempre deixou claro que eu tinha que trabalhar. Arrumar quartos, limpar, cozinhar. E às vezes, descer até o salão e conversar com os machos. Mas os machos que iam ali não queriam conversar. Eles queriam sexo. E não me escolhiam, nunca. Muitos falavam comigo, diziam que sentiam-se melhores na minha presença, ao ouvir minha voz. Mas ir para cama… era sempre com as outras. O que me deixava feliz, até aquele momento. O momento em que aquele macho me puxou, afirmando que iria para cama comigo. Aquilo não era normal. Ainda mais… dois machos. O encapuzado me deixava arrepiada, e não era medo. O bêbado me puxou ainda mais para junto de si. O clima no salão pareceu ficar mais quente, mais denso. Todos estavam parados, observando. — Eu peguei ela primeiro, amigo. Se quiser, vai ter que esperar eu acabar. Tentou me puxar de novo, mas sem sucesso. O forasteiro segurou seu ombro, fazendo o bêbado desferir um soco contra ele que desviou com uma leveza assustadora. Levei as mãos à boca em choque. Nunca tinha visto aquilo. — Mas que merda… — Eu já disse. Eu quero ela. — tornou a repetir, frio. Eu não conseguia sequer raciocinar quando Theodor surgiu no meio da multidão e se aproximou. Encarou os lobos, mas seus olhos se fixaram no forasteiro. Ele franziu o cenho, como se tivesse sentido algo. — O que está acontecendo aqui, meus amigos? — tentou soar calmo. Mas eu sabia que estava apavorado. — Quero me deitar com essa fêmea e vou, mas esse infeliz sem nome insiste em me desafiar. Eu irei matá-lo. Theodor tomou a frente. — Não, assassinatos não são permitidos em minha casa de luas. O reino pode estar em pedaços, mas lobos ainda devem respeitar as regras aqui. O macho não desviou os olhos de Theodor. — Marco. — referiu-se ao que me segurava. — Ela é pequena, frágil. É virgem. Ela sequer alcançou a maturidade, deixe-a. Vocês dois podem aproveitar qualquer outra fêmea desse salão. — Eu vou me deitar com ela. — exigiu Marco. Theodor estava suando frio. Eu o olhava, implorando por uma solução. O estranho voltou a se aproximar. O encarei havia algo nele. Algo… primitivo. — Então se prepare para morrer. — sussurrou intenso. Theodor ergueu as mãos para o alto. — Um duelo então. Entre lobos, lá fora. Não é permitida a transformação, apenas uma luta como homens. Quem vencer passa a noite inteira com Rose. Arregalei os olhos, abri a boca para falar, mas Theodor me repreendeu com o olhar. Marco sorriu, vitorioso. — Certo, vamos lá para fora. Ele me soltou de imediato, jogando-me nos braços de Theodor, que me segurou. Os dois passaram. O encapuzado me lançou um olhar de esguelha que me fez perder a respiração. Todos seguiram para fora. A lua estava alta e brilhante no céu. A floresta ao redor sussurrava ventos distantes. Queriam assistir. Queriam saber o que aconteceria. Os dois machos se prepararam. Marco arrancou a camiseta e sorriu, batendo no peito. O estranho tirou o capuz. E deuses… Seus cabelos castanhos escuros caíam sobre o rosto anguloso, mas eu quase podia ver algo inexplicável e belo ali. Ele era muito mais forte e alto que Marco o que era surpreendente, já que Marco era o macho mais alto daquele lugar. Marco partiu para o primeiro soco, que foi desviado e revidado assustadoramente rápido pelo estranho. Theodor estremeceu. — Esse macho não é daqui. Ele é um guerreiro, sabe o que está fazendo. Assisti à luta com mais atenção. Eu não entendia de duelos, mas Marco lutava como um animal enjaulado. E o estranho sabia exatamente como atacar e onde. A cada golpe, Theodor estremecia mais, enquanto os outros aplaudiam e gritavam. — Ele… Ele parece um lobo cassius. — as palavras saíram geladas. Assustadas. — O que está falando, mestre? — questionei. Ele estava tremendo enquanto segurava minha mão. Jamais o vi tão pálido. — Não, não pode ser. Estão extintos, todos mortos. — Lobo Cassius? Ele olhou diretamente nos meus olhos. Um grito fez minha atenção voltar à luta. Marco estava ensanguentado e ofegante. O estranho mal tinha um arranhão e não demonstrava qualquer cansaço. — AGORA VOCÊ MORRE, DESGRAÇADO! Marco soltou o grito, pronto para matá-lo, mas com um único movimento certeiro o estranho o segurou pelo pescoço e o jogou no chão com toda a força, vencendo o duelo. Alguns aplaudiram. Outros ficaram imóveis. Jamais imaginaram que Marco seria derrotado por alguém. Aquilo não era bom. O estranho se ergueu, cabelos molhados grudados na testa suada. Seus olhos encontraram os meus e um arrepio gélido passou por minha pele. Quando… Marco se ergueu, já transformado. — NÃO! ATRÁS DE VOCÊ! — tentei avisar. Ele saltou, agarrou o ombro do estranho com força e o arremessou para longe, fazendo-o desaparecer entre as árvores. Theodor apertou minha mão. Senti um embrulho no estômago. Não… Não… Aos poucos, Marco voltou à forma humana. Nu e cheio de sangue. Aproximou-se respirando pesadamente. — Eu venci. — rosnou. Theodor assentiu. Meu coração acelerou. — Você trapaceou, não podia se transformar... — comecei a dizer, mas antes de terminar... Ele me deu um tapa tão forte que meu rosto virou. Senti uma dor lancinante e um ódio maior ainda. Theodor sorriu nervoso. — Venceu, venha. Vamos acertar. Depois de pagar a Theodor, ele me levou para o quarto. Me arrastou pelo braço, fechou a porta atrás de si e me jogou na cama, ficando por cima. Não tive tempo de reação; ele rasgou o decote do meu vestido. — Não faça assim, por favor eu… — Você não me manda parar! — rugiu. Tentei reagir, mas estava tudo acabado. Ele me tomaria à força, sem dó. Senti as lágrimas vindo, o medo crescendo enquanto ele rasgava o tecido. Quando senti seu peso aumentar sobre mim… algo pingou na minha pele. Abri os olhos. Ele estava imóvel. A ponta de uma espada atravessava seu peito. Não consegui gritar. Ele caiu para o lado, morto. E atrás dele… ele surgiu. O forasteiro. — Eu ganhei você, fêmea. Você é minha por direito.






