Mundo ficciónIniciar sesiónMia Ashowrth é a única loba sigma em mil anos, destinada desde o nascimento ao Alfa Supremo. Bryan Blackwolf a amou… depois desapareceu, deixando cicatrizes profundas. Agora ele voltou — e quando Mia questiona o destino dos dois, o Alfa mostra exatamente quem sempre foi… Eles Caminharam pelos corredores silenciosos da mansão até que Mia perguntou baixinho: — Você tem certeza que quer fazer isso, Bryan? Ele parou, virou-se devagar, os olhos azuis escurecendo. — É por isso que você está inquieta? Você deveria estar feliz, Mia… mas está duvidando? — Não parece tudo muito precipitado… — ela murmurou. Bryan bufou, avançando até encurralá-la contra a parede. — Precipitado? Nosso destino foi traçado antes de nascermos. Eu nunca tive dúvida sobre quem você é pra mim. Seu rosto se aproximou, a voz baixa e ameaçadora: — Você está indecisa por quê? Acha que existe outra alternativa? O sorriso dele ficou sombrio. — Eu ficaria muito feliz em eviscerar quem quer que seja. E usar as tripas dele como cordão na nossa cerimônia de casamento. Mia engoliu em seco. — Pensei que, quando você foi embora, você tinha escolhido outro caminho. Bryan segurou seu cabelo, firme: — Eu e você vamos nos casar, Mia. Sempre foi o nosso destino. E eu vou destruir qualquer um que ouse se meter. Se for preciso, deixo o mundo queimar… só pra lembrar a todos a quem você pertence. Alguns amores nascem livres. O deles nasceu acorrentado até a morte, e depois dela.
Leer másEnquanto era conduzida para fora, Mia observou o entorno, tomando nota do mundo que Lyana habitava: a cidade de Ashborne era um labirinto de concreto, pedra e fumaça. Não havia o abraço do mar ou a vitalidade da floresta tropical da Blackwolf, apenas o cinzento urbano que espelhava a vida gélida que ela estava prestes a enfrentar. Apesar da dor, o instinto da Luna Sigma prevaleceu. Mia se concentrou, transformando-se na espiã perfeita. Ao passar pelos poucos funcionários e enfermeiros do hospital, Mia notou o gesto. Quando Kiara passava, as pessoas abaixavam a cabeça, mas não era um simples aceno de respeito. Era um movimento específico, a cabeça inclinada para o lado, quase de lado, numa reverência profunda. Mia sentiu um arrepio. Aquele gesto, ela sabia, era uma marca de submissão absoluta, reservada apenas para ela e Bryan o Rei e a Rainha do mundo lupino. Ver Kiara (e, por extensão, Azura) recebendo aquela deferência usurpada em nome da família Thorne, preencheu Mia com uma
Há dias que Mia habitava aquele corpo estranho. Cada movimento doía, uma lembrança viva de feridas alheias que aquele invólucro carregava. A recuperação era lentamente agonizante; sem a força de um lobo dentro dela para acelerar a cura, cada passo era um fardo e cada respiração ecoava a fragilidade de Lyana.Vestiu-se com as roupas que a família Thorne lhe trouxera as peças elegantes e caras, que sussurravam o poder daquela linhagem. Foi até a janela e observou a cidade abaixo. Apenas concreto, pedra e fumaça; nenhum vestígio do mar, nenhum eco das florestas tropicais que a Alcateia Blackwolf proporcionava. Apenas a frieza urbana, um prenúncio da vida que a aguardava.Mesmo machucada, o Dr. Oliver Sterling conduzira sua alta com eficiência e informara que os familiares estavam a caminho.Enquanto esperava, o pensamento de Mia voltou-se para o celular de Lyana. Assim que o tivesse em mãos, ligaria para Chloe, sua irmã mais velha. A única que talvez acreditasse. Mas então, uma dúvida g
O corpo dele ficou rígido, o desconforto evidente. Ele desviou o olhar por um instante, depois pigarreou, tentando disfarçar o embaraço. — Você... está com a memória ruim? — perguntou com cautela, medindo cada palavra. Mia piscou rápido, o coração acelerado. — Sim, é isso. — respondeu depressa. — Minha memória... está ruim. — Leva a mão à cabeça, simulando dor, tentando dar veracidade à mentira. O teatro pareceu funcionar. A expressão de Oliver suavizou, e ele se aproximou com cuidado. Pegou o estetoscópio do pescoço e o pendurou de lado, inclinando-se sobre ela. — Deixe-me ver... — murmurou. Ele acendeu a pequena lanterna e examinou os olhos dela, movendo a luz de um lado para o outro. O olhar concentrado, a testa franzida, o tom de voz carregado de preocupação genuína. — É normal perder parte da memória após um trauma — disse, finalmente, em tom baixo. — O corpo reage tentando se proteger. Mia apenas assentiu, grata por aquela explicação servir de escudo. Oliver gu
Lennox se recostou, os olhos a observando em silêncio, como se pudesse enxergar dentro dela. Mia desviou o olhar, tentando se recompor, mas a dúvida latejava: "O que eu faço agora?" Lennox não permaneceu imóvel. Ele se aproximou até a beira da cama e pousou-se ali como se fosse parte do móvel — sólido, frio, impossível de mover. Ficou um instante observando-a com olhos que não prometiam nada além de controle. — Lya — falou, a voz baixa, direta, sem rodeios — aqueles lobos que te sequestraram... eles te violentaram? A pergunta caiu no quarto como um sopro cortante. Mia o encarou, o corpo inteiro em alerta; ele estava perto demais, a respiração dele próxima ao rosto dela. Por um segundo, sua mente saltou para lembranças antigas: os três anos em que Lennox atormentara a região, a guerra com a Midnight Sky Pack, as noites em que seu nome aparecera nas conversas sussurradas da alcateia — tudo isso voltava em imagens confusas e ameaçadoras. Ela lembrava vagamente de ordens, de conf
— Lyana... — a voz da mulher foi cortada e controlada, carregada de falsa doçura. — Querida, mamãe fica feliz que você esteja bem. Fala Kiara, Mia sentiu que conhecia aquela mulher, tentou buscar na memória. Kiara aproximou-se da cama, ajustando o travesseiro com dedos frios e movimentos mecânicos. Passou as mãos pelo rosto da filha. Valentin permanecia de pé ao lado da cama. — Mas, da próxima vez, tente não ser capturada por aqueles selvagens da Alcateia Dark Moon, sim? — o sorriso não alcançou os olhos. — Temos coisas mais importantes para nos preocupar... nosso império está em ascensão. Não nos dê mais trabalho. Mia permaneceu imóvel. Cada toque parecia ácido sobre a pele. Era a voz da mulher que Mia viu apenas por fotos e vídeos então como poderia? Aquilo era um sonho, talvez um pesadelo. Logo atrás dela, Valentin Thorne entrou no quarto. A presença dele era tão forte que o ar pareceu vibrar. O homem era o retrato da autoridade o terno escuro, olhos severos e
Mia estava em pé diante do espelho, mas não era ela.Os olhos dourados, cor de caramelo, refletiam um choque que atravessava a alma. Ela piscava rápido, tentando acreditar que aquele rosto que não era o seu, mas de uma completa desconhecida para Mia aquilo não era real. Cada mecha loira ondulada que caía sobre os ombros parecia zombar dela.A voz que saiu, suave, quase frágil, não era a voz firme e letal que sempre carregava poder. Quando tentou falar, apenas um sussurro escapou, rasgando o silêncio frio do banheiro:— Não... não pode ser...O coração disparou, martelando no peito como se quisesse escapar do corpo estranho. A respiração veio rápida, irregular, cada inspiração um fio de dor que atravessava os pulmões.Ela tentou dar um passo para trás, afastar-se do reflexo que a aterrorizava, mas as pernas trêmulas falharam. O mundo girou e ela caiu com um baque surdo no chão frio. A testa bateu nos azulejos, e o sangue se espalhou, quente e metálico.— Ah! — um grito fraco e sufocado
Último capítulo