Mundo de ficçãoIniciar sessãoMia Ashowrth é a única loba sigma em mil anos, destinada desde o nascimento ao Alfa Supremo. Bryan Blackwolf a amou… depois desapareceu, deixando cicatrizes profundas. Agora ele voltou — e quando Mia questiona o destino dos dois, o Alfa mostra exatamente quem sempre foi… Eles Caminharam pelos corredores silenciosos da mansão até que Mia perguntou baixinho: — Você tem certeza que quer fazer isso, Bryan? Ele parou, virou-se devagar, os olhos azuis escurecendo. — É por isso que você está inquieta? Você deveria estar feliz, Mia… mas está duvidando? — Não parece tudo muito precipitado… — ela murmurou. Bryan bufou, avançando até encurralá-la contra a parede. — Precipitado? Nosso destino foi traçado antes de nascermos. Eu nunca tive dúvida sobre quem você é pra mim. Seu rosto se aproximou, a voz baixa e ameaçadora: — Você está indecisa por quê? Acha que existe outra alternativa? O sorriso dele ficou sombrio. — Eu ficaria muito feliz em eviscerar quem quer que seja. E usar as tripas dele como cordão na nossa cerimônia de casamento. Mia engoliu em seco. — Pensei que, quando você foi embora, você tinha escolhido outro caminho. Bryan segurou seu cabelo, firme: — Eu e você vamos nos casar, Mia. Sempre foi o nosso destino. E eu vou destruir qualquer um que ouse se meter. Se for preciso, deixo o mundo queimar… só pra lembrar a todos a quem você pertence. Alguns amores nascem livres. O deles nasceu acorrentado até a morte, e depois dela.
Ler maisNaquela manhã, algo despertou em Mia Ashworth.
Um calor estranho se espalhou por baixo da pele, rápido demais para ser ignorado. Mia parou por um segundo, com a sensação nítida de que algo estava despertando dentro dela. Ela ainda não sabia… mas aquele seria o último dia em que o destino permaneceria sendo gentil com ela. Mia desceu para o café da manhã. A mansão Ashworth já estava a todo vapor naquela hora o cheiro de café fresco, pão quente, vozes pela casa, passos apressados. Ela ajeitou a trança dos cabelos platinados sobre o ombro, e seus olhos prateados varreram o ambiente antes de entrar na sala de jantar. — Bom dia, família — disse com um sorriso leve. — Bom dia, querida, sente-se o café ainda está quente — respondeu Elizabeth sua mãe, apressada, girando três coisas ao mesmo tempo na mesa. – Quer panquecas? – Elizabeth já estava acelerada. — Sim mãe, obrigado. E seus irmãos estavam todos ali: Chloe estava encostada no ombro de Benjamin Blackwolf , irmão mais velho de Bryan , enquanto os dois conversavam baixinho sobre o treino daquele dia. Theo conversava com Bryan, mostrando algo no celular , provavelmente uma estratégia de treino , Léo comia como se já estivesse no terceiro round de batalha. Zoey desenhava um coração no vapor do copo de leite. Zack, o caçulinha, batucava com a colher no copo como se estivesse criando uma música secreta só dele totalmente alheio ao redor. Quando avistou Mia ele balbuciou: — Miau miau. — era assim que ele chamava a irmã mais velha que se aproxima dele e dá um beijo na pequena testa dele e depois bagunça seus cachos castanhos. Mas o foco de Mia era ele: Bryan. Alto, loiro, pele dourada de sol e olhos azuis tão fundos quanto o oceano. O Herdeiro Blackwolf. O Predestinado dela. O garoto que um dia seria Alfa… e marido de Mia. Bryan não era só o herdeiro Blackwolf. Era o tipo de homem que o mundo aprende a obedecer cedo ou tarde. Ele conversava com Theo, mas Lívia estava plantada ao lado dele, jogando os cabelos castanhos para trás como quem ensaia charme diante do espelho — rindo alto demais, inclinada demais, tocando o braço dele com uma falsa naturalidade que Mia reconhecia de longe: desespero disfarçado. O sorriso de Lívia nunca chegava aos olhos. Era ali que morava o problema. E aquele teatro morreu assim que Mia apareceu. O olhar de Bryan simplesmente mudou. Iluminou. Desviou da conversa. Como se um ímã tivesse puxado seu foco direto para ela. Ele se levantou na hora. — Bom dia, meu amor — disse, com aquele sorriso que fazia até o sol parecer tímido. — Trouxe pra você. Das costas, ele tirou um mini buquê que ele mesmo amarrara com um laço torto. Rosas brancas minúsculas, colhidas do jardim entre as duas casas. Mia corou. De verdade. — São lindas, meu alfa. Obrigada. O olhar deles se encontrou por um segundo… e foi o suficiente para o mundo ao redor perder o foco. Como sempre acontecia. E foi então que Lívia explodiu. — ESSA blusa é minha! — ela rosnou, girando o corpo para atacar Mia como se fosse questão de honra. Mia deu de ombros, pegando uma torrada com toda a calma do planeta. — Sim. Mas fica melhor em mim. Lívia estreitou os olhos, venenosa: — Essa tava na lavanderia, Mia. A resposta de Mia não veio de imediato. Porque antes… veio o pensamento, aquele velho e cansado pensamento. Era sempre assim. Desde que Mia se entendia por gente, Lívia implicava com ela como se cada respiração de Mia fosse uma afronta pessoal a ela. Lívia sempre acreditou que Mia havia lhe roubado o destino: o alfa que ela dizia pertencer a ela, o futuro perfeito como Luna, toda a fantasia impecável que ela criara pra si mesma. E então Mia nasceu. E nasceu com a marca de Bryan. E o castelo de sonhos de Lívia ruiu numa noite só. Mia revirou os olhos, já acostumada com aquela acidez diária da irmã. Só então respondeu, com a língua afiada que Selene lhe deu: — Tudo fica melhor em mim. Não tenho culpa que você nasceu feia. Lívia ficou vermelha — um vermelho vivo, ridículo, de pura raiva. Mia fez uma careta debochada. Zoey, claro, imitou na hora — a língua pra fora, cúmplice até o último fio de cabelo. E Mia devolveu a língua também, no mesmo tom atrevido que irritava Lívia mais do que qualquer insulto. — MÃE! — Lívia berrou. — ESSAS PIRRALHAS TÃO DE GRAÇA COM A MINHA CARA! Elizabeth suspirou profundamente, sem paciência. — Lívia, minha filha, ignore. São só crianças. E então olhou firme para Mia: — E você… não dê mau exemplo pra sua irmãzinha. Mia abriu a boca para responder, mas não deu tempo. Um formigamento subiu pelo braço dela. Forte. Quente. Como eletricidade correndo por baixo da pele. Ela congelou por um segundo, o coração acelerado — não de nervoso, mas de algo desconhecido. Bryan percebeu NA HORA. Ele sempre percebia. Os olhos dele encontraram os dela, e por um instante, os dois ficaram em silêncio… intrigados. Como se um chamado silencioso tivesse acabado de passar entre eles. Theo colocou a mochila no ombro. E uma torrada na boca. — Bom, temos que ir. Estamos atrasados. Ele sempre levava todos para a escola. Mia se levantou da mesa, ajustando a alça da mochila no ombro, quando ouviu a voz firme de Alaric: — Mia, minha princesa… Aquele tom. Sempre que ele usava aquele tom, o mundo parecia encolher ao redor dela. — Como seu lobo ainda não despertou, quero que use o botão de pânico se algo acontecer, entendido? Mia odiava aquele botão. Porque ninguém carrega um botão de pânico quando acredita que nada ruim pode acontecer. Ela sentiu o estômago afundar. De novo isso. Era sempre assim. Sempre o mesmo olhar preocupado. Sempre a sensação de ser feita de vidro, cercada, protegida, vigiada, como se o simples ato de respirar fosse perigoso demais pra ela. Respirou fundo, mas a resposta morreu na garganta. Não era uma cobrança agressiva… era amor. Mas às vezes doía tanto quanto. Antes que ela encontrasse palavras, Bryan se adiantou. Estufou o peito. Endireitou o ombro. Falou com a confiança de alguém que nasceu para liderar o mundo. — Padrinho, eu cuido dela. Nada vai acontecer. — A voz dele cortou o ar com uma firmeza quente, quase possessiva. Por um segundo, Mia sentiu o corpo esquentar de novo — aquela mesma energia que havia percorrido os dois há minutos atrás, sutil como um aviso do destino. Alaric encarou Bryan em silêncio. Dois segundos longos. Pesados. De avaliação. Era o olhar de um Beta… para o futuro Alfa. E, enfim, ele assentiu — lento, satisfeito, orgulhoso. — Muito bem, Bryan — disse Alaric, mas o olhar dele pousou em Mia logo depois, suave, paterno. — Mas você, princesa, promete que vai usar o botão caso precise? Mia apenas balançou a cabeça, o coração inflado de uma mistura estranha de irritação, conforto e… expectativa. Porque algo naquela manhã não estava certo. E ela sentia isso no fundo dos ossos. Elizabeth abriu a porta, limpando as mãos no avental. — Muito bem, crianças. Tenham um bom dia….E Sem brigas — ela enfatizou olhando para Lívia, que fingiu não ouvir. Os quatro saíram juntos: Theo à frente, responsável como sempre. Lívia bufando com as mãos cruzadas. Léo absorto nos próprios pensamentos. Bryan colado em Mia. E Mia sentindo ainda aquele calor estranho nas veias. Um calor que crescia. E que ninguém… absolutamente ninguém… estava preparado para entender aquele dia. Mia saiu de casa sem saber por quê, mas com a certeza incômoda de que não voltaria a ser a mesma.A despedida veio sem alarde, mas carregada de uma urgência dolorosa. O cheiro de pedra úmida e prata queimada empesteava o ar. Era o odor puro da derrota, esmagando os pulmões de todos dentro da cela. Lyana foi a primeira a se aproximar. Abraçou os três com força, como quem tenta segurar o tempo pelos braços. Os dedos dela afundaram no tecido sujo, e o tremor do seu corpo frágil contrastava com a rigidez dos músculos tensos dos prisioneiros. — Eu vou visitar vocês todos os dias — prometeu ela, a voz embargada. — Todos os dias. Ela respirou fundo, segurando as lágrimas, antes de completar: — E, por favor... não façam nada ruim. O aviso infantil carregava um peso insuportável. Era o instinto de sobrevivência puro falando através da inocência. Lennox tentou manter o rosto fechado, o corpo rígido, mas falhou. O abraço o desmontou. Por um instante breve, ele fechou os olhos, permitindo-se sentir aquele calor humano, como se fosse tudo o que lhe restava. O azul elétrico de
A atmosfera na cela mudou quando Bryan deixou claro que não sairia dali sem respostas. O silêncio que se seguiu não era vazio. Era cobrança. Maddox respirou fundo, o peito subindo e descendo com dificuldade, enquanto o azul Blackwolf em seus olhos parava de oscilar, fixando-se com uma clareza cortante. Ele olhou para Bryan. Não como um alvo, mas como um espelho. — O plano... — Maddox começou, a voz seca. — O plano nunca foi uma invasão clássica. Lennox tentou se levantar, as correntes de prata tilintando violentamente. A fúria em seu rosto era uma máscara mal ajustada para o pavor de ver seu mundo desmoronar. — Você vai entregar tudo a eles, Maddox? — Lennox rosnou, as veias do pescoço saltadas. — Vai cuspir em tudo o que a gente aprendeu? Maddox nem sequer piscou. Virou o rosto lentamente para o irmão, sustentando o olhar selvagem de Lennox com uma calma gélida. — Vou. Houve uma pausa em que apenas a respiração pesada de Lennox pôde ser ouvida. — O que os Thorne fizeram p
O som metálico da trava eletrônica ecoou pelo corredor de concreto como um disparo. O ar ali dentro era diferente. Tinha gosto de ferro e cheiro de desinfetante barato, aquele que tenta — e falha — esconder o odor acre do medo acumulado nas paredes. Mia sentiu o peso do teto sobre seus ombros. Cada passo em direção à sala de visitas era uma luta contra o instinto de dar meia-volta e correr. Quando a porta pesada finalmente se abriu, o quadro que encontraram era devastador. Os trigêmeos já estavam lá. Três sombras letais emolduradas pelo cinza das paredes. Cada um estava sentado em uma mesa de metal parafusada ao chão. Separados. Isolados por um abismo que não era feito de metros, mas de silêncio. As roupas azuis da penitenciária, aquele tecido áspero e sem vida, marcavam todos da mesma forma. Mas a semelhança parava no uniforme. Os rostos, embora idênticos em traços, eram máscaras distintas de contenção. Estavam sérios demais. Fechados demais. Duros demais para ho
Quando Mia e Bryan entraram na sala de espera da penitenciária de segurança máxima de Costa da Lua, Eles não esperavam ver certas pessoas ali. Ou melhor... Mia não esperava. O passo dela diminuiu quase imperceptivelmente. Os olhos percorreram o ambiente uma vez, depois outra, tentando organizar o que via. Aquilo não fazia sentido imediato. Não daquele jeito. Não todos juntos. Havia presenças que eram esperados naquele lugar. Outras, não. Aquelas pessoas não deveriam estar ali, no mesmo quadrado, mas ali estavam, evitando o olhar uma das outras, e o silêncio apenas quebrado pelos zumbidos das luzes florescentes. Ao lado dela, Bryan permaneceu atento, mas sem surpresa. O corpo dele estava preparado, como se já soubesse que aquela visita não seria simples. Mia sentiu o vínculo vibrar em sintonia com Bryan. Algo ali já tinha começado antes mesmo de eles entrarem. Sara Montserrat caminhava de um lado para o outro, os passos contidos, mas incessantes. Parava, respira
Último capítulo