capítulo 04

"Corra, Rose, corra. Você tem um dom. Um lindo dom. Fuja dele, fuja, Rose... Fuja da besta..."

Abri os olhos sobressaltada após ouvir minha mãe, e só então percebi que havia apagado. A tempestade caía intensa. E o macho ainda corria. Eu estava agarrada a ele, trêmula, ainda segurando o candelabro.

Eu não podia acreditar que estava livre, longe do inferno que havia sido minha “vida” por tantos anos. Olhei confusa para a floresta, eu sequer sabia como estava o mundo fora das paredes da casa de luas. Ergui a cabeça e abri a boca, sorrindo quando senti as gotas de chuva tocando minha língua.

Quando a tempestade diminuiu um pouco, o macho reduziu a velocidade e logo chegamos a uma espécie de caverna. Ele parou e me colocou no chão. O frio me atingiu imediatamente; minha roupa estava encharcada.

Olhei para ele.

— Obrigada por ter me salvado — sorri levemente. — Eu vivia lá desde criança. Eu... eu nem acredito que estou livre.

Comecei a gargalhar.

— Você me salvou.

Ele se aproximou e tirou o capuz da minha cabeça, revelando meus cabelos. Castanhos claros, mas com a raiz branca e a cada dia, mais branca ainda.

Dei alguns passos para trás.

— Eu não estou doente, se é o que pensa. Eu nasci assim.

O macho deu um passo para trás também. Sua respiração ficou mais lenta, mais intensa.

— Eu sei que eu não sou atraente, e isso me deixa estranha. Mas eu não sou um monstro. Não fique bravo comigo.

De repente, a respiração dele acelerou. Tentei me aproximar, mas ele ergueu a cabeça e vi as veias de seu pescoço saltarem. Arregalei os olhos.

— Não estou entendendo, você me salvou...

— Salva? — ele rugiu. A voz grossa e ríspida ecoou pela caverna, causando um estrondo. — Você não está salva.

O timbre dele mudou, como se algo tivesse tomado seu corpo.

— Eu vou levar seu coração para ela.

Naquele instante, eu entendi. Talvez Theodor estivesse certo. Ele não era meu herói.

Ele começou a se contorcer, pronto para se transformar e me atacar. Não pensei nem duas, nem três vezes. Corri até a saída. Ele tentou me agarrar, mas eu apertei o candelabro em minhas mãos, e o acertei no rosto. Ele gritou de ódio, e eu consegui escapar.

A chuva caía intensa e poderosa na floresta. Eu não sabia para onde estava indo; o caminho era confuso, cheio de árvores e galhos que me feriam. A luz da lua havia sumido. Tudo que eu escutava eram uivos na mata.

Não sabia voltar. Não sabia para onde correr.

Não havia trilha, nem caminho. Apenas mata fechada e densa.

Eu corri. E corri o mais rápido que consegui. Até avistar uma luz, uma pequena luz em meio à escuridão. A segui. Ao longe, vi uma cabana pequena. Me aproximei desesperada. A porta estava fechada, mas não trancada. Entrei.

Meu corpo estava dolorido e sangrando. Olhei em volta: a casa era pequena, mas parecia que uma família morava ali.

Os uivos cessaram. Talvez ele tivesse parado de me perseguir.

Levantei, cambaleando, e procurei algo para enfaixar minha perna sangrando. Entrei em um quarto pequeno e escuro, encontrei uma camiseta velha jogada no chão e a amarrei na perna.

— Aí... deuses, por favor. Me ajudem

— implorei.

Observei o quarto. Havia um cheiro específico e estranhamente familiar. Olhei para a parede ao lado da porta e avistei um retrato pintado de uma família.

E ali, no retrato... estava ele. Marco.

Meu coração veio à garganta.

— Não... não...

Eu estava na casa dele.

— Nós vamos caçar aquele forasteiro e aquela vadia, pai! Eu prometo!

Ouvi vozes e passos. Pessoas entraram na casa. Machos.

— Eles vão me pagar pelo meu filho! — rosnou um lobo furioso.

Me escondi atrás da porta, tentando não fazer barulho. Eles iriam me matar. Ou coisa pior.

Enquanto discutiam, vagarosamente fechei mais a porta. Avistei uma janela baixa no canto do quarto e fui até lá, silenciosa.

Estava quase abrindo quando a madeira do chão rangeu. Desesperada, tentei agir rápido. Mas a porta se abriu de supetão. O macho surgiu furioso. Antes mesmo que eu pudesse saltar para fora, ele me segurou pelos cabelos e me jogou no chão.

— Olha só o que temos aqui. É ela, pai. A fêmea que matou Marco.

Agora eu estava presa.

Em uma cabana.

Com três machos monstruosos e sedentos por vingança.

Sigue leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la APP
Explora y lee buenas novelas sin costo
Miles de novelas gratis en BueNovela. ¡Descarga y lee en cualquier momento!
Lee libros gratis en la app
Escanea el código para leer en la APP