Mundo ficciónIniciar sesiónUm contrato selado em ouro. Uma linhagem despertada em sangue. Um amor que pode incendiar o mundo. Mariane Valerius acreditava que o seu destino estava traçado nas letras miúdas de um acordo corporativo. Para salvar a honra de sua família, ela foi entregue como garantia ao homem mais perigoso e desejado da cidade: Killian Blackwood. Ele é o herdeiro de um império implacável, um Alfa cuja arrogância é tão vasta quanto a sua fortuna, e que não aceita nada menos que a submissão absoluta. O que deveria ser apenas uma transação fria e calculada transforma-se em um jogo perigoso de sedução e domínio. Entre as paredes de vidro de uma cobertura luxuosa e o isolamento de refúgios selvagens, Killian descobre que sua "noiva de contrato" carrega um segredo que pode destruir o reinado de seu pai. Mariane é a lendária Loba Celeste, a portadora de uma luz prateada capaz de libertar as alcateias ou condená-las ao caos. Enquanto Killian luta contra uma possessividade maníaca que o consome — querendo trancá-la em uma gaiola dourada para protegê-la do mundo —, Mariane descobre que seu poder não pode ser enjaulado. Perseguidos pelo Rei Alfa e caçados por mercenários de elite, eles fogem das luzes da metrópole para o coração da floresta. Nesta jornada de sobrevivência e luxúria, as máscaras caem: o carrasco torna-se o protetor, e a prisioneira torna-se a Rainha. Em um mundo onde lobos se vestem de seda e o poder é medido em sangue, o que acontece quando o Alfa se ajoelha diante da sua única fraqueza?
Leer másO prédio da Blackwood Global erguia-se sobre a cidade como um monólito de vidro e arrogância. No último andar, o escritório de Killian Blackwood era um santuário de poder silencioso. Mariane Valerius parou diante da imensa porta de carvalho negro, ajustando a saia lápis de seu terno cinza, que parecia subitamente apertada demais. Ela respirou fundo, tentando acalmar o coração que martelava contra as costelas. Como loba, seus sentidos estavam em alerta máximo; o cheiro de Killian atravessava a madeira — uma mistura inebriante de tempestade iminente, uísque de carvalho e algo profundamente masculino que fazia seus pelos da nuca se arrepiarem.
Ela empurrou a porta. O ambiente estava na penumbra, iluminado apenas pelo brilho das luzes da cidade lá fora. Killian não estava sentado. Ele estava de pé, de costas, observando a metrópole. Mesmo de costas, ele era intimidante. Os ombros largos tensionavam o tecido da camisa de seda branca, e a postura rígida exalava a autoridade de um Alfa que não precisava rosnar para ser obedecido. — Você está três minutos atrasada, Mariane — a voz dele era um barítono rouco que pareceu vibrar diretamente no baixo ventre dela. — Não sabia que o tempo de um Herdeiro era medido com tal precisão, Sr. Blackwood — ela respondeu, fechando a porta atrás de si. O clique da tranca ecoou como um veredito. Killian virou-se lentamente. O rosto era uma obra-prima de ângulos cruéis e beleza selvagem. Os olhos, de um azul-oceano gélido, percorreram o corpo de Mariane com uma lentidão predatória. Ele não a olhava como um empresário olharia para uma sócia; ele a olhava como um lobo faminto observa uma presa que ele sabe que não tem para onde fugir. — Quando se trata de um investimento de bilhões, cada segundo é valioso — ele disse, caminhando em direção a ela. Cada passo era fluido, silencioso. — E você, Mariane, é o investimento mais caro que minha família já adquiriu. Ele parou a poucos centímetros dela. O calor que emanava de seu corpo era quase insuportável. Mariane recusou-se a recuar. Ela ergueu o queixo, seus olhos azul-céu encontrando o abismo dos dele. A tensão entre eles era uma corda esticada ao ponto de romper. — Eu não fui "adquirida" — ela sibilou, a voz falhando minimamente quando ele se inclinou, invadindo seu espaço pessoal. — Minha alcateia precisava de apoio financeiro e a sua precisava de uma linhagem pura para legitimar o trono do seu pai. É uma transação comercial. Nada mais. Killian soltou uma risada baixa, um som gutural que fez o estômago de Mariane dar voltas. Ele estendeu a mão, mas não para tocá-la. Ele apoiou o braço na porta, logo acima da cabeça dela, prendendo-a entre seu corpo e a madeira. — Comercial? — ele sussurrou, o hálito quente de menta e uísque roçando o rosto dela. — Se fosse apenas comercial, meu lobo não estaria tentando rasgar esta camisa apenas para sentir o cheiro da sua pele, Mariane. Você exala baunilha e desafio... e isso é uma combinação perigosa para um homem com a minha falta de paciência. Mariane sentiu o rosto esquentar. Ela podia sentir o pulsar da veia no pescoço dele, a força bruta contida sob aquela fachada de civilidade. — O contrato diz que seremos vistos juntos em público. Ele não diz nada sobre você agir como um animal no seu escritório. — O contrato diz que você me pertence por dois anos — ele corrigiu, a voz descendo uma oitava, tornando-se perigosamente suave. Ele levou a outra mão ao rosto dela, o polegar calejado traçando a linha de seu lábio inferior com uma pressão que a fez estremecer. — Você vai morar na minha cobertura. Vai dormir no quarto ao lado do meu. Vai sentar-se à minha mesa. E quando eu decidir que é a hora de selarmos este acordo... você vai aprender que eu não aceito nada pela metade. Mariane sentiu uma onda de indignação misturada com uma excitação proibida. Ela odiava a arrogância dele, mas o modo como ele a dominava com o olhar fazia sua própria loba interior uivar em reconhecimento. Ele era o Alfa. O macho alfa que sua linhagem Celeste esperava há gerações, embora ela ainda não soubesse disso. — Você acha que pode me dobrar à sua vontade, Killian? — ela desafiou, colocando as mãos no peito dele para empurrá-lo, sentindo a firmeza dos músculos sob a seda. Era como tentar mover uma montanha de granito. Ele capturou os pulsos dela com uma das mãos, prendendo-os acima da cabeça dela contra a porta. O movimento foi rápido, deixando-a vulnerável. Killian pressionou o corpo contra o dela, sua coxa musculosa insinuando-se entre as pernas de Mariane. Ela soltou um suspiro ofegante. — Eu não acho, Mariane. Eu sei. — Ele inclinou a cabeça, enterrando o rosto na curva do pescoço dela, inalando profundamente. — Você pode lutar o quanto quiser. Isso só vai tornar a sua rendição mais doce quando eu finalmente decidir tomar o que é meu por direito. Ele se afastou bruscamente, soltando os pulsos dela como se o toque o estivesse queimando. Seus olhos estavam escuros, as pupilas dilatadas até quase esconderem o azul. — O motorista está esperando lá embaixo com suas malas. Vá para a cobertura. Eu tenho reuniões até tarde. Tente não quebrar nada no meu apartamento... especialmente o meu autocontrole. Você não gostaria de ver o que acontece quando eu paro de ser um cavalheiro. Mariane ficou parada por um momento, recuperando o fôlego enquanto ele voltava para sua mesa, agindo como se nada tivesse acontecido. Mas ela via as mãos dele — ele estava cerrando os punhos com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos. — Isso ainda não acabou, Killian — ela disse, a voz agora firme, embora suas pernas ainda estivessem trêmulas. — Pequena loba... — ele disse, sem olhar para ela, enquanto abria uma pasta de documentos. — Isso está apenas começando. Mariane saiu do escritório com o coração na boca. Ela sabia que os próximos dois anos seriam uma guerra de vontades, uma dança perigosa entre o ódio e uma paixão que ameaçava consumir tudo o que ela conhecia.As portas de obsidiana do Salão do Trono eram monumentos à tirania de Marcus Blackwood. Eram mais altas do que as árvores mais antigas do Vale dos Esquecidos, adornadas com esculturas de lobos em agonia e símbolos de poder ancestral. Ao serem abertas pelos rebeldes, revelaram um interior tão sombrio quanto se esperava. O salão era um vazio cavernoso, iluminado por velas de sebo que dançavam em candelabros de ossos e projetavam sombras grotescas nas paredes forradas de pele humana. No centro, sobre um trono de obsidiana que parecia ter sido esculpido do próprio abismo, Marcus esperava. Ele não estava acompanhado de guardas. Em vez disso, seu corpo era cercado por uma aura pulsante de escuridão e prata roubada, os olhos injetados de sangue e ódio. À sua frente, um altar de basalto exalava uma névoa púrpura, e sobre ele, um dispositivo de cristal brilhava com uma luz sinistra, alimentado por um fio de cabelo negro — o cabelo de Killian. Mariane entrou no salão, a Loba Celeste uivand
O Palácio de Obsidiana era cercado por um anel de beleza tão antinatural que chegava a ser ofensiva. O Jardim das Delícias Dolorosas fora projetado por Marcus para ser um labirinto de plantas bioluminescentes, fontes que jorravam águas perfumadas com narcóticos e estátuas de mármore que pareciam gritar em agonia silenciosa. O ar ali era doce e espesso, saturado com feromónios projetados para confundir os sentidos aguçados dos lobos, transformando a agressividade em letargia ou em uma luxúria incontrolável. Mariane cruzou os portões de ferro batido, sentindo imediatamente a pressão na sua mente. A Loba Celeste rosnava dentro dela, uma vibração de aviso que fazia os seus dentes estalarem. “Cuidado, Mariane,” a voz da Loba ecoou, mais nítida do que nunca. “As flores... elas respiram. Elas bebem o medo e exalam o esquecimento.” Ao seu lado, Killian estava com o corpo tenso, as veias dos braços saltadas. O Lobo Negro dentro dele estava em alerta máximo, mas o seu nariz movia-se invo
A periferia da capital do Império Blackwood não se parecia em nada com a floresta indomada ou o refúgio das cavernas. Era um labirinto de concreto acinzentado, fábricas que vomitavam fumaça negra e fileiras intermináveis de blocos habitacionais onde a classe trabalhadora dos lobos vivia em uma servidão silenciosa. As Muralhas de Ferro, uma barreira de vinte metros de altura carregada com sensores de movimento e canhões automáticos, separavam os subúrbios miseráveis do esplendor do Palácio de Obsidiana. Mariane caminhava pela linha de frente, seus pés sentindo a vibração constante das máquinas sob o solo. O ar ali era pesado, saturado com o cheiro de medo e suor de milhares de lobos que observavam a chegada dos rebeldes através de janelas quebradas e frestas de portas. “Eles estão aterrorizados, Killian,” Mariane enviou a mensagem mental, sentindo a dor coletiva daquela população ecoar em sua mente através do poder da Loba Celeste. “Eles não veem libertadores. Veem apenas mais uma
O Rio de Cinzas era uma barreira natural impiedosa que separava as Terras Livres do cinturão industrial do Império Blackwood. Suas águas eram escuras, ricas em sedimentos vulcânicos que ferviam levemente devido à atividade geotérmica da região. A única passagem viável era a Ponte dos Suspiros, uma estrutura colossal de aço e concreto fortificada com ninhos de metralhadoras e projetores de luz ultravioleta, projetados para queimar a retina de qualquer lobo que tentasse uma aproximação noturna. Mariane estava na vanguarda, oculta pela névoa espessa que subia das águas quentes. Ela não precisava de binóculos. Através dos olhos da Loba Celeste, ela via o mundo em assinaturas de calor e correntes de energia. “Dezoito sentinelas no primeiro nível. Três atiradores de elite na torre leste. E algo mais... algo denso e frio no centro da ponte,” Mariane enviou a imagem mental para Killian, que estava posicionado quinhentos metros abaixo, liderando a Matilha de Ferro na penumbra. “O 'algo
O vento que soprava do norte trazia o cheiro de neve e de mudança. No centro do Vale dos Esquecidos, o acampamento rebelde fervilhava com uma energia que não se via há gerações. Não eram mais apenas lobos desgarrados tentando sobreviver ao inverno; eram soldados forjados na esperança e no medo, observando seus novos líderes com uma reverência que beirava o fanatismo. Mariane estava de pé sobre uma plataforma de pedra natural, observando a montagem das catapultas e o treinamento das unidades de assalto. Suas tatuagens prateadas agora eram parte dela, brilhando suavemente sob a túnica de couro negro que ela usava. “Eles estão prontos, Mariane,” uma voz profunda, rústica e vibrante ecoou dentro de sua cabeça. Não era Killian. Era a Loba Celeste. Pela primeira vez, Mariane sentia a fera não como uma força invasora, mas como uma parceira consciente. A loba não falava em palavras humanas, mas em conceitos e sensações que Mariane traduzia instantaneamente. “Eles não estão apenas pro
O Vale dos Esquecidos não estava mais em silêncio. Após o massacre no desfiladeiro, o ar estava carregado com o som de uivos de vitória que ecoavam pelas paredes de basalto. As fogueiras do acampamento rebelde ardiam com uma chama azulada, alimentadas pela energia remanescente que Mariane deixara no solo. Os lobos que antes olhavam para Killian e Mariane com desconfiança, agora se curvavam quando eles passavam — não por medo, mas por reconhecimento de uma soberania que transcendia os contratos de sangue. Killian conduziu Mariane para a tenda central, uma estrutura ampla feita de peles de urso e seda negra recuperada das pilhagens. Dentro, o cheiro de resina de pinho e sândalo criava um refúgio do frio cortante lá fora. Mariane ainda sentia a eletricidade da Loba Celeste correndo sob sua pele, um formigamento constante que fazia seus olhos brilharem na penumbra. — Eles estão esperando um comando — Mariane sussurrou, sentando-se sobre o monte de peles que servia de leito. Suas tatu
Último capítulo