O casamento por contrato da garota do lixão e o bilionário.

O casamento por contrato da garota do lixão e o bilionário.PT

Romance
Última atualização: 2026-08-02
Layane P Santos  Atualizado agora
goodnovel18goodnovel
0
Avaliações insuficientes
20Capítulos
3leituras
Ler
Adicionado
Resumo
Índice

Abandonada pela própria mãe ainda criança, Helena precisou crescer rápido. Com apenas dez anos, tornou-se a guardiã dos seus três irmãos em um lixão esquecido pela cidade. Foi lá, entre escombros e esperanças, que conheceu Heitor, um menino rico de coração generoso, que lhe prometeu amor eterno. Anos depois, com um grave acidente e a vida pedindo sacrifícios, Helena se vê forçada a entrar no mundo da prostituição. Sob o nome artístico de Angel, ela brilha nos palcos de um cabaré, chamando a atenção de homens poderosos — entre eles, Gael, um jovem influente e sedutor, noivo da elegante Alice. O que ela não imaginava é que Gael fosse irmão de Heitor… e que seu passado e presente estariam prestes a colidir de forma explosiva. Heitor retorna à sua vida como um homem misterioso, disposto a protegê-la e amá-la a qualquer custo — inclusive, por meio de um casamento por contrato. Mas Helena carrega cicatrizes, segredos… e um amor dividido entre dois irmãos.

Ler mais

Capítulo 1

Capítulo Um...

O ar era pesado, denso como um lamento preso na garganta. Perfume barato, cigarro e suor se misturavam nas paredes descascadas, grudando na pele de Helena como uma segunda pele indesejada. No palco estreito e mal iluminado, ela surgiu — envolta num vestido de cetim vermelho que parecia menos uma roupa e mais uma armadilha.

Os holofotes opacos mal atravessavam a névoa de fumaça, mas ainda assim delineavam cada curva do seu corpo, exposto aos olhos famintos da plateia. E como devoravam. Olhares como facas, cortando o pouco de dignidade que ela ainda tentava preservar. Entre os sussurros sujos, havia um silêncio — o silêncio de predadores observando a presa se contorcer antes do bote.

Ela dançava.

Não porque queria. Porque precisava.

Cada movimento era forçado, como se o corpo lutasse contra a alma para obedecer. O samba arrastado que gemia das caixas enferrujadas do andar de baixo fazia o chão vibrar sob seus pés descalços. Era como se o inferno tivesse ritmo, e ela estivesse condenada a dançar ali, noite após noite.

— Olha só pra isso, parece uma virgem se fingindo de santa! — gargalhou um homem de camisa aberta, já bêbado, jogando uma nota amassada de cinquenta aos pés dela.

— Rebola mais, Cristal! Mostra o que eu vou comprar hoje! — gritou outro, dente de ouro reluzente, olhos vermelhos de álcool. A risada dele ecoou como uma sirene de escárnio pelo salão.

Helena não piscou. Apenas girou, o vestido subindo mais do que gostaria. Não havia escolha. O dinheiro pagaria o remédio do irmão.

Os cabelos negros e lisos contrastavam com a palidez quase fantasmagórica do rosto, maquiado para esconder a dor. O batom vermelho tremia nos lábios como um sorriso falso no rosto de uma boneca quebrada.

— Parece de porcelana... será que quebra se a gente apertar? — murmurou um homem à frente, a mão estendida tentando alcançar sua coxa enquanto ela girava. Ela recuou de leve — um movimento sutil, treinado. Mas sentiu o nojo subir pela garganta.

Outro se levantou da cadeira, aproximando-se do palco com a ousadia de quem se acha dono de tudo.

— Desce daí, linda... vem ganhar um extra no camarim — a voz pastosa, o hálito de conhaque invadindo o ar como uma agressão.

Ela não respondeu. Nunca respondia. Se respondesse, apanharia depois. Os olhos claros, quase transparentes, não olhavam para ninguém. Não podiam. Se olhasse, veria o desejo cru, a avidez de homens que a queriam por minutos, sem imaginar o peso da alma que aquele corpo carregava.

Mas eles não viam Helena.

Viam Cristal.

A boneca de vitrine. A ilusão vendida em carne viva. Um corpo alugado pela noite.

Cada aplauso soava como um tapa. Cada assobio, como a lembrança de que seu corpo não lhe pertencia mais. Ela girava devagar, os cabelos acompanhando o movimento, mas os olhos continuavam duros, distantes — mergulhados num passado de abandono, fome e perda.

A meia-noite se aproximava.

E enquanto lá embaixo as vozes se elevavam e o vinho barato escorria em gargantas sujas, no palco Helena era um retrato vivo da tristeza — vendida em pedaços para quem tivesse trocados no bolso e a consciência morta no peito.

Mais
Próximo Capítulo
Baixar

Último capítulo

Mais Capítulos

Também vai gostar

Novelas relacionadas

Nuevas novelas de lanzamiento

Último capítulo

Não há comentários
20 chapters
Capítulo Um...
Capítulo Dois...
Capitulo Três - O menino do farol...
Capitulo Quatro - A Dor que Alguém Escolheu Chamar de Amor...
Capitulo Cinco - A Primeira Lâmina...
Capítulo Seis – Entre a Febre e a Saudade...
Capitulo Sete - Um céu cinza e as estrelas de papel...
Capitulo Oito - Um jantar, uma amizade de verdade...
Capitulo Nove - Portões Fechados
Capitulo Dez - O Aniversário de Juliano...
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App