Mundo de ficçãoIniciar sessãoEu fui traída. Casei com Miguel Starling por amor, mas ele me transformou em uma sombra: uma esposa humilhada, culpada pela morte do nosso bebê e trocada pela minha rival de infância. Até o dia em que Beatriz me drogou numa festa para me destruir. Foi ali que Lucas Hendrick apareceu. Poderoso, misterioso e Magnata. Ele me salvou, me ofereceu um acordo insano, um casamento falso por um ano, e me deu a chance de me vingar de todos que me pisaram. Agora Miguel vai descobrir que a mulher que ele destruiu não existe mais. No lugar dela nasceu alguém que não aceita migalhas.
Ler maisAura Keller
Passei a manhã inteira na cozinha, preparando o prato favorito dele. O cheiro de alho dourado e carne grelhada enchia a casa, me trazendo lembranças de quando ele me abraçava por trás e dizia que meu arroz era o melhor do mundo. Coloquei tudo com cuidado na marmita nova que comprei semana passada, azul, a cor favorita dele. Dentro, deixei um bilhetinho pequeno, dobrado com carinho:
"Feito com todo o meu amor. Que seu dia seja leve. Te amo desde sempre."
Meu coração batia com uma esperança boba. Fazia tempo que Miguel não me olhava como antes de eu perder o nosso bebê, mas eu ainda acreditava que, se eu me esforçasse mais, se eu fosse mais compreensiva, as coisas voltariam a ser como no começo. Quando ele me protegia de tudo. Quando eu era o mundo dele.
Dona Sônia me observava da porta, com o cenho franzido.
"Senhora Aura... não vá não. O senhor Miguel disse que ia almoçar fora. Você vai se magoar de novo. Ele não merece todo o seu cuidado."
Eu forcei um sorriso, mesmo sentindo o peito apertado.
"Ele esqueceu a marmita ontem e não almoçou, Sônia. Vou só entregar rapidinho. Ele gosta quando eu faço essas surpresas..."
"Não sei, senhora. Ele anda ainda mais irritado. Talvez seja melhor..."
"Eu o conheço. Sei que ele vai gostar."
Ela suspirou, mas não insistiu. Sabia que eu não desistiria.
Dirigi até a empresa com as mãos suadas no volante. O coração batia forte, uma mistura de ansiedade e esperança. Estacionei, peguei a marmita ainda quente e subi. As secretárias me cumprimentaram com pena disfarçada e ignorei. Entrei no elevador sentindo o cheiro gostoso da comida que eu tinha feito com tanto amor.
Ele ia gostar da surpresa, tinha que gostar. Eu tinha preparado outras para ele. Eu precisava do meu marido de volta, não suportava mais essa distância. Eu já tinha me punido demais pelo que tinha acontecido ao nosso filho. Ele não podia mais me culpar por algo que os médicos disseram que estava além do nosso controle.
Quando cheguei ao andar da presidência, o corredor parecia mais longo que o normal. A porta da sala dele estava entreaberta. Ouvi a risada dele, baixa, sensual.
Empurrei a porta devagar.
E o mundo inteiro desabou sobre mim.
Miguel estava sentado na cadeira grande, relaxado, com aquele sorriso charmoso que um dia era só meu. Na frente dele, sentada na beirada da mesa com as pernas cruzadas de forma provocante, estava Beatriz Garbon, nossa amiga de infância e primeiro amor do Miguel.
Saia justa, blusa decotada, cabelo loiro perfeito. Ela estava inclinada para frente, quase tocando o braço dele, falando algo baixinho que o fazia rir.
Meu corpo inteiro gelou. A marmita escorregou das minhas mãos trêmulas e caiu no chão com um barulho seco. O molho quente espirrou no piso caro, manchando tudo. O cheiro de comida se misturou com o perfume caro dela.
Os dois viraram o rosto ao mesmo tempo.
Miguel franziu a testa, irritado.
"Aura? O que você está fazendo aqui?"
Beatriz se levantou devagar, com um sorriso falso de surpresa que não chegava aos olhos.
"Aura! Nossa, quanto tempo, amiga! Eu acabei de chegar na cidade e vim visitar o Miguel. Estava mesmo perguntando de você..."
Eu não conseguia respirar direito. Meu peito subia e descia rápido, como se alguém tivesse enfiado a mão dentro de mim e apertado meu coração. Olhei para Miguel, procurando qualquer sinal de culpa, de vergonha. Mas ele estava impassível. Como se eu fosse a intrusa ali.
"O que... o que está acontecendo aqui?" minha voz saiu rouca, quase quebrada.
Beatriz deu um passo à frente, fingindo preocupação.
"Não pense nada errado, Aura. Estamos apenas conversando de negócios. Miguel quer que eu venha trabalhar com ele. Não é ótimo? Vamos formar uma dupla e tanto."
Senti um gosto amargo subir pela garganta. As lágrimas queimavam meus olhos, mas eu lutava para não deixar cair. Olhei para o homem que eu amava desde os quinze anos.
"Eu te pedi tantas vezes pra me deixar ajudar aqui... Você sempre disse que eu não entendia nada. E ela mal chegou e você já está abrindo as portas?"
Miguel soltou uma risada baixa, debochada. Ele se levantou e veio andando devagar na minha direção, como se eu fosse uma criança fazendo birra.
"Sou eu quem decido isso, Aura. Não você. Uma simples dona de casa que não sabe nada de empresa. Você só me atrapalharia, diferente da Beatriz."
Cada palavra foi como uma facada. Meu corpo inteiro tremia. As pernas pareciam gelatina. Eu me sentia pequena, ridícula, com a marmita caída aos meus pés, símbolo patético do meu amor não correspondido.
"Eu sou sua esposa, Miguel..." sussurrei, a voz falhando.
Ele parou bem na minha frente, olhando de cima para baixo.
"Sim. E eu continuo sabendo o que é melhor pra mim. Beatriz é qualificada. Estudou nas melhores faculdades. Ela vai me ajudar de verdade."
Atrás dele, Beatriz sorria com cinismo. Quando Miguel virou um pouco o rosto, ela se inclinou e sussurrou só para mim:
" Você pode ter ficado com ele por um tempo... mas agora eu vim buscar o que é meu."
"Miguel, diga que isso é mentira. Que você não vai colocar essa mulher no cargo que é meu, se eu te mostrar..." tentei falar que tinha continuado a estudar, mas ele me cortou.
"Chega, Aura, pare de fazer cena."
Miguel apontou para o chão sujo.
"Limpe essa bagunça que você fez e nos deixe em paz. Se causar escândalo de novo, eu vou ficar muito irritado com você, Aura. E você sabe que não vai gostar das consequências.
Fiquei ali, parada, enquanto as lágrimas finalmente escorriam pelo meu rosto. Me abaixei devagar e comecei a recolher os pedaços da marmita que eu tinha preparado com tanto amor. Minhas mãos tremiam tanto que cortaram em um pedaço de plástico.
Eles passaram por mim, ainda abaixada, e continuaram rindo e conversando até chegarem ao elevador, me deixando sozinha no corredor frio.
Naquele momento, algo dentro de mim se quebrou de verdade.
E, junto com a dor, nasceu uma raiva silenciosa.
Eu não aguentava mais ser invisível.
Aura KellerO carro seguia suave pelas ruas da cidade. Meu coração ainda batia acelerado por tudo que tinha acontecido na joalheria, mas agora, ao lado de Lucas, o nervosismo era de outro tipo. Um tipo gostoso. Perigoso.Eu olhei para as sacolinhas no meu colo e respirei fundo.“Você… não vai olhar as peças?”Ele tirou os olhos da rua por um segundo e sorriu de lado.“Se você gostou, está perfeito.”“Lucas… eu gastei muito. Eu nem perguntei o preço e…”Ele riu. Uma risada grave, quente, que reverberou dentro do carro e fez minha pele formigar.“Eu mandei você comprar o que quisesse. Poderia ter comprado a loja inteira se quisesse.”Eu engasguei.“Você é louco.”“Não sou.” Ele esticou a mão e apertou a minha de leve, o polegar fazendo um carinho lento no dorso. “Eu sei quanto custa aquele lugar. E eu sei o quanto você merece.”O toque dele era quente. Firme. Eu senti um arrepio subir pelo braço. Ele não soltou minha mão. Eu também não puxei.O carro parou em frente a uma boutique chiqu
Miguel StarlingEu estava puto.Puto pra caralho.Fiquei parado no meio da joalheria como um idiota enquanto Aura saía com aquelas sacolinhas caras balançando na mão, a cabeça erguida, como se fosse a dona do mundo. O segurança que a acompanhava ainda me olhava como se eu fosse um cachorro vira-lata prestes a morder. E Beatriz… Beatriz ainda estava agarrada no meu braço, fingindo que não estava tremendo de raiva.Quem era o homem?Quem era o desgraçado que estava bancando aquilo tudo? Porque não era possível. Não era possível que Aura já tivesse arranjado outra pessoa. Eu fui o primeiro em tudo na vida dela. Primeiro beijo, aos dezesseis anos. Primeiro amor. Primeiro homem. Eu tirei a virgindade dela. Eu dei o primeiro filho. Tudo. Era eu. Sempre fui eu.Como ela simplesmente… se rebelou assim?Quando foi que eu perdi o controle?“ Miguel…” Beatriz puxou meu braço com aquela voz manhosa e triste que geralmente me amolecia. “A Aura nos humilhou. Eu não acredito que ela fez tudo isso. E
Aura KellerEu quase podia sentir o gosto da vitória. Mas ainda não tinha acabado.“Aura, pare de nos fazer passar vergonha”, ele cuspiu as palavras como veneno. “Você não pode comprar nada aqui. Eu cancelei seus cartões, então…”Eu ri.O som saiu espontâneo, baixo no começo, depois mais alto. Uma risada verdadeira, que fez várias cabeças virarem na loja. Eu ri porque era ridículo. Porque era patético. Porque era a primeira vez em anos que eu me sentia tão acima dele.“E você acha que eu dependo de você?” respondi, ainda sorrindo. Aquilo pareceu despertar algo perigoso nele. Os olhos de Miguel se estreitaram, o maxilar travado.Ele olhou para a bandeja onde o solitário brilhava e entendeu tudo de uma vez.“Está comprando um anel de noivado?” A voz dele subiu de tom. “Aura, que porra você está fazendo?”O segurança deu um passo à frente, posicionando-se entre nós. Eu me senti segura. Protegida. Era uma sensação nova, quente, que me encheu de coragem. Lucas estava cuidando de mim mesmo
Aura KellerO frio que percorreu minha espinha foi tão forte que por um segundo eu achei que ia desmaiar.A voz. Aquela voz.Eu fiquei tensa imediatamente. Cada músculo do meu corpo se contraiu. O anel que a vendedora ainda segurava em cima da bandeja de veludo preto parou de existir. O brilho dos diamantes sumiu. O ar da joalheria, que até então era perfume caro e luxo, agora parecia denso e sujo.Eu me virei. E lá estava ele.Miguel.Com Beatriz agarrada ao braço dele como se fosse uma extensão do corpo dele. Tão colada, tão íntima, tão... dona. Meu estômago embrulhou de um jeito nojento. Eu senti o gosto amargo subir na garganta.Ela ainda estava com o pé engessado, a bota preta ortopédica feia e deselegante, e o braço com curativo aparente por baixo da blusa de seda clara. Mesmo assim, ela se sentia a mulher mais doce e fina daquele lugar. O cabelo impecável, o batom vermelho, o sorriso de quem sabia exatamente o que estava fazendo. E Miguel... Miguel a tratava como se ela fosse d





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