O calor era sufocante. Um calor pegajoso, sujo, que subia do chão do lixão como se viesse do próprio inferno. E ainda assim, Helena tremia.Deitada sobre o cobertor fino, manchado de barro e suor, seu corpo magro parecia se dissolver aos poucos. A pele pálida, os lábios rachados, os olhos semicerrados não escondiam o quanto a febre a consumia. O suor encharcava os cabelos, escorria pelas têmporas, molhava o travesseiro improvisado. Cada respiração era uma luta. Murmurava palavras sem sentido, mergulhada num mundo onde a dor e o delírio se confundiam.Lara, encolhida ao lado dela, chorava baixinho.— Ela não fala mais, Juliano...Juliano se ajoelhou, segurando um pano encharcado com a água que haviam recolhido da chuva. Passou na testa de Helena com cuidado, tentando não tremer.— Tá tudo bem, mana... você vai melhorar — disse, tentando sorrir.Mas por dentro sabia que não. Helena estava mal. Mal como nunca estivera antes. O jeito que o corpo dela se dobrava, a respiração falha, os gem
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