Na certidão, estava escrito: filha de Edgar e Deisi. No papel, Ayla ganhou sobrenome, teto e sobrenaturalmente até respeito. Mas nenhum desses nomes cabia no corpo pequeno que ela carregava. Não havia abraço, não havia perfume de colo. Só roupa alinhada, cabelo penteado, postura rígida nas fotos.
A casa não era lar. Era vitrine.
O corredor tinha cheiro de cera de madeira, os degraus sempre polidos pela diarista que Deisi contratava. Na sala, os sofás de couro brilhavam, cobertos de plástico nos