Mundo de ficçãoIniciar sessãoEle não queria uma esposa. Precisava de uma substituta. Aurora Swtz foi entregue à família Blanc para pagar a traição da própria irmã. O casamento aconteceu rápido, sem amor e sem escolha. No lugar da noiva que o enganou, Noah Blanc recebeu a irmã virgem, obediente e descartável. Mas Noah não é um homem que esquece. Ele controla horários, roupas, silêncios e até o prazer da mulher com quem se casou. Faz dela sua nova assistente na empresa, sua vitrine social e sua correção pessoal. Na frente de todos, ela é apenas a substituta. Na intimidade, é lembrada de que foi comprada. Aurora aceitou o acordo com um objetivo secreto. Ela quer usar o poder do marido para destruir a irmã que sempre a colocou à margem de tudo. Só não esperava que o maior obstáculo não fosse a crueldade de Noah, mas a forma como ele a testa, a provoca e a molda para ocupar um espaço que deveria ser de outra mulher. Noah não age como um homem traído. Age como alguém que precisa dominar para não perder o controle outra vez. E quanto mais tenta quebrá-la, mais percebe que a esposa errada talvez seja a única que não pretende fugir. Em meio a humilhação pública, jogos corporativos e desejo usado como punição, o casamento deixa de ser um contrato e se transforma em uma disputa perigosa, onde vingança e poder se confundem com algo muito mais difícil de controlar. E talvez... Ela fuja
Ler maisO dia em que voltei para casa foi o dia em que meu pai me vendeu.
— Que saudade, pai.
— Desculpa, Aurora. Eu não tive escolha.
Não tive chance de perguntar sobre o que ele estava falando. Minha madrasta apareceu gritando.
— Está se desculpando, por que, Antônio? Sua filha ganhou na loteria.
Olhei em volta procurando por alguma explicação e meu pai vomitou o motivo de finalmente ter me deixado sair do colégio católico onde tinha me enfiado na marra.
— Seu casamento é amanhã, Aurora.
Não consegui me mover enquanto ouvia meu pai afirmando que precisávamos pagar a dívida com a família Blanc.
— Noah salvou nossa família da falência porque estava apaixonado pela sua irmã, mas ela traiu a todos.
— Traiu? Como assim, traiu? E o que eu tenho a ver com o chifre do namorado dela?
— Suzanna ficou com medo. A exigência dos Blanc de que o filho deles fosse o primeiro era parte do contrato, Aurora.
— Primeiro? Primeiro o quê? A filha da sua mulher já saiu com a cidade inteira. Não é possível que só ele não soubesse.
Meu braço queimou quando a esposa do meu pai me puxou com as unhas cravadas na minha pele.
Tentei me defender, mas caí quando a mão de Solange atingiu meu rosto.
— Minha filha não é do seu tipo. Lave a boca antes de falar da Suzanna!
Meu pai entrou na frente antes que a minha madrasta continuasse seu show. E no quarto a frase que mais doeu foi quando meu pai afirmou.
— O contrato não é seu, mas a dívida da família é. Você é virgem, não é, Aurora?
— Sou! Como não seria se vocês me trancaram na merda de um convento cheio de freiras loucas?
Discutimos por horas, mas quando decidi aceitar aquele casamento. Não foi pela família, muito menos para livrar a cara de Suzanna. Eu me casaria com Noah Blanc e com o poder dele derrubaria cada uma das pessoas que sempre me viram como lixo.
Começaria com a minha irmãzinha e Solange assistiria sua filha perfeita rastejar como o inseto que ela sempre foi!
Suzanna não tinha medo de perder o marido nem a imagem. Ela tinha medo da miséria. E eu a jogaria abaixo disso.
Só precisava conquistar o coração do monstro por trás da fortuna dos Blanc.
Abaixei os olhos fingindo submissão.
— Eu me caso, pai. Pelo senhor, eu me caso com Noah.
Nem ele entendeu minha resposta.
— Você voltou diferente dessa viagem. Sua mãe estava certa, o colégio te fez bem.
— Ela não é a minha mãe!
A viagem à qual ele se referia tinha sido o exílio que minha madrasta me impôs sorrindo enquanto liquidava a fortuna da família.
Um colégio católico a milhares de quilômetros de casa. Quatro anos rezando mais do que respirando. Pedindo perdão por pecados que eu nunca tinha cometido.
Dormir não foi fácil.
E na manhã seguinte um carro me esperava na porta da casa do meu pai.
— O que é isso? Quem são esses homens, pai?
— Vá com eles, Aurora.
Sem explicações eu fui levada até um prédio luxuoso e dois homens me acompanharam até o consultório de uma médica que nem olhou para mim antes de anunciar.
— Tire a calça e a calcinha e deite com as pernas no apoio.
Olhei para os homens que estavam ao meu lado.
— Na frente deles?
— Tem um biombo, pode se trocar lá trás. A família Blanc exigiu testemunhas.
Quando a médica começou a me tocar com as luvas frias as lágrimas escorreram pela lateral do meu rosto.
— Idade?
— Vinte e um anos.
— Já teve algum tipo de relação sexual?
— Não.
— Relaxa.
Ela pressionou alguma coisa em mim. Não doeu, só incomodou.
Tapei a minha própria boca tentando não mostrar para os homens que estavam atrás do biombo o tamanho da minha vergonha.
A médica se afastou um pouco.
— Fique na posição.
Quando ela voltou tudo ficou ainda pior. Usou uma mão para me abrir e com a outra fez fotografias.
— Pode se vestir.
Primeiro fechei as pernas e me encolhi. Antes que eu conseguisse me sentar, a voz de um dos homens que esperavam surgiu irônica.
— E então?
— A paciente não teve rompimento do hímen.
Não me levaram de volta para casa do meu pai. Fui deixada ali como uma mercadoria que tinha passado pela primeira fase da avaliação.
Levaram as fotos e o laudo.
Algumas horas depois eu entrei na igreja e me casei por procuração. O homem que havia comprado o direito ao meu corpo nem sequer apareceu.
Meu pai, o homem à minha frente deveria ser isso, mas agora eu já não tinha certeza de nada. Ele estava medindo as palavras, tentando torná-las doces. Isso eu reconhecia. Mas também tinha aprendido com Noah que homens poderosos não pensam no que estão falando por medo e sim por estratégia. Cada silêncio do meu pai tinha intenção.— Não entendi.Realmente não tinha compreendido, mas naquele dia eu descobri que a serpente no Jardim do Éden também era capaz de falar a verdade. Ela era o mal e ao mesmo tempo a fonte de informação que deveria ser usada e não seguida. O escritório já não parecia tão grande como quando eu cheguei, agora a presença de Noah já não estava no ponto brilhante, nem na madeira imponente. O cheiro dele ainda estava nas paredes, nas roupas guardadas, no vapor que tinha ficado preso na minha pele depois do banho, mas a presença do meu pai contaminava tudo.Antônio passou a mão no rosto, contornou o próprio maxilar com a ponta dos dedos e então recomeçou. — Quando
— Pai, precisamos conversar. Minha voz saiu decidida, mas confesso que o meu coração batia como se desejasse abandonar o meu peito. — Acredita no seu pai, não acredita, minha filha? — Não tem como eu duvidar do que estou vendo, tem? — Filha, eu te amo, minha linda. O abraço do meu pai queimava como se eu estivesse presa em correntes em brasa, o ódio que eu sentia por ele quase fez com que o plano fosse por água abaixo. — Solta! Me afastei de uma vez. O rosto do meu pai se contorceu por alguns segundos, mas assim que eu voltei a falar ele começou a sorrir. — Aurora? — Quero fundir os negócios dos Swtz aos dos Blanc. Quero que o nome de Noah se torne perpétuo. Me ajuda, pai? Não importa o que ele fez, só quero que o meu marido seja reconhecido como o homem que eu acreditava que ele era. O sorriso do meu pai soou quase como uma ofensa. Ele não se importava com qual marca iria ganhar dinheiro, só conseguia enxergar a possibilidade de enriquecer ainda mais. — Claro, filha. Vamos
O rosto do meu pai surgiu como um lembrete da minha incapacidade de resolver toda aquela situação. Olhei para ele sem entender direito o que ele estava tentando fazer, mas a resposta surgiu em um tom forte e imponente. — Sente-se! Minha filha é a nova Presidente do Grupo Blanc e quem não estiver satisfeito com isso poderá assinar esse memorando que será enviado a todos os sócios. Um dos homens parecia impaciente com tudo aquilo. Acabou puxando a pasta de couro que meu pai ofereceu. Abriu com certa brutalidade, mas paralisou em seguida.— Que tipo de pegadinha é essa? Aqui diz que ao sairmos do grupo Blanc somos obrigados a ficarmos longe de negócios parecidos por cinco anos! — Nada que vocês já não tivessem assinado quando aceitaram o cargo no conselho de acionistas e a remuneração substancialmente gorda pela prestação desses serviços de merda. Quer ou não assinar e sair daqui? Eu não reconhecia Antônio. Meu pai não era aquele homem. Mas no fundo eu tinha certeza de que aquele
O mundo pode se tornar pequeno demais quando estamos sozinhas nele. Essa era a sensação quando cruzei a sala com os saltos que eu odiava batendo contra a madeira do piso brilhante do escritório da presidência. — Que tipo de piada é essa? — Quem é você? — O que está acontecendo aqui? As perguntas vinham de todas as direções, mas eu segui cada passo do que Noah havia me dito. — Quando entrar olhe para frente, um ponto brilhante que há próximo à janela. Depois dê uma volta completa e olhe para o outro ponto antes de se sentar. Passe a mão embaixo da mesa e só então continue a reunião. — O que tem embaixo da mesa? Devo procurar por algo?— Não, apenas passe a mão e quando a reunião terminar volte para cada um dos pontinhos brilhantes, se aproxime bem até conseguir ver o que tem no centro. É uma mensagem muito importante e que sempre esteve lá. — Sempre esteve lá? Achei que havia colocado os pontos para me ajudar. — Não. Eu já fui um jovem com medo de tudo e que precisava acreditar










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