O som da risada de Ayla corria pela casa, leve, solto, como se escapasse sem pedir licença. Deisi estava na cozinha, arrumando a mesa do jantar. Cada riso que vinha do quarto das meninas era uma navalha na pele. As mãos dela batiam os pratos com força sobre a toalha branca. Os talheres faziam barulho agudo demais.
“Como ela ousa ser feliz?”, pensava, cerrando os dentes, enquanto ajeitava o guardanapo de pano com movimentos duros.
Na sala, Edgar fingia ler o jornal. O papel subia e descia leveme