O portão da casa abriu com aquele rangido irritante que nunca consertavam. Bianca desceu do carro ajeitando a alça da bolsa no ombro, o salto afundando um pouco no cascalho da entrada. A fachada iluminada, imponente, parecia sempre maior quando ela voltava sozinha. A cada passo, lembrava que aquela não era só uma casa, era uma vitrine.
A empregada abriu a porta e sorriu automático.
— Boa noite, dona Bianca.
O cheiro do molho de tomate vinha da cozinha, mas misturado ao perfume pesado de lavand