Mundo de ficçãoIniciar sessãoApós um divórcio conturbado com o perigoso Denis, Beatriz tenta reconstruir sua vida, mas é sequestrada pelos capangas de seu ex-marido. Ela é resgatada por Yago, um misterioso morador de rua por quem se apaixona. Quando Denis reaparece, determinado a reconquistá-la, os perigos se intensificam. Após uma série de desafios e traições, Beatriz e Yago redescobrem o verdadeiro valor do amor e da confiança.
Ler maisCapítulo 21 Beatriz observava a paisagem passar, suas mãos entrelaçadas no colo para esconder o tremor. Sua mente era um turbilhão de medo e antecipação. Ela observou Yago, sua postura relaxada, mas alerta, suas mãos firmes no volante. A expertise com que ele executava cada curva, cada ultrapassagem, era nítida. Quem era esse homem, realmente? Um mendigo que por acaso tinha uma mansão e habilidades de operativo especial? A dúvida pairou em sua mente, mas foi ofuscada pela lembrança de seus braços ao seu redor, protegendo-a, e pela promessa em seus olhos. Ele era seu porto seguro, não importava de onde viesse. Quase uma hora depois, Yago entrou no movimentado estacionamento de um grande supermercado. — Agora — ele disse, sua voz calma. — Saia como se estivéssemos indo fazer compras. Sem pressa, sem olhar para trás. Vá em direção à entrada principal. Vou te encontrar do outro lado. Beatriz assentiu, seu coração batendo forte. Ela saiu do carro, tentando andar naturalmente, senti
Capítulo 20 O silêncio que pairava na sala após a declaração de guerra de Yago foi quebrado por um surpreendente pragmatismo. Ele não perdeu um segundo sequer em contemplação. A decisão estava tomada. O estrategista havia assumido o controle completamente. — Não temos muito tempo — Yago anunciou, sua voz era um comando baixo que ecoava na sala. — Ele sabe que a isca foi mordida. Qualquer demora nos torna previsíveis. Ele se dirigiu a um armário embutido na parede do escritório que Beatriz nunca notara antes. Com um código digital discreto, a porta deslizou silenciosamente, revelando não livros, mas uma pequena e impressionante coleção de equipamentos. Não eram armas de fogo ostensivas, mas dispositivos de tecnologia discretos e utilitários. Yago pegou uma pequena bolsa tática. — Venham — ele ordenou, levando as duas mulheres de volta para a sala principal. Sobre a mesa, ele despejou o conteúdo da bolsa. Havia dois smartphones genéricos e lacrados, dois pequenos rádios de ou
Capítulo 19 O silêncio na sala era carregado pelo peso de todas as histórias não contadas de Yago e pelo desespero atual e palpável de Beatriz. Era um silêncio que doía, que sussurrava de futuros sombrios e de passados inescapáveis. Cada segundo que passava parecia alongar-se numa eternidade de angústia, enquanto a decisão iminente pairava sobre eles como uma lâmina. Beatriz permanecia de pé, seu corpo delgado tremendo como uma folha sob a força do furacão que a assolava por dentro. Suas mãos estavam frias e úmidas, entrelaçadas na frente do corpo num gesto de súplica silenciosa. Seus olhos, enormes e inundados de um medo primitivo, estavam fixos em Yago, suplicando por uma compreensão que ia além da lógica, que mergulhava nas profundezas do instinto e do amor filial. Ela via nele não um estrategista agora, mas o único porto em sua tempestade, e ao mesmo tempo, o obstáculo que a impedia de correr para a pessoa que mais amava no mundo. Zaya, então, quebra o silêncio gelado. Ela se
Capítulo 18 E então, ele viu. Uma digitalização desbotada de uma lista de membros de um clube de negócios exclusivo, datada de quinze anos atrás. Dois nomes, separados por algumas páginas, saltaram para fora da tela como um socorro: Alistair Monteiro, o nome de seu pai. E ao lado dele, um nome que fez seu sangue gelar: Dimitri Orlov, o pai de Denis. Eles não eram amigos próximos, de acordo com os registros. Mas estavam no mesmo círculo restrito. O mesmo mundo de poder, riqueza e ausência de escrúpulos. O monstro que criou Yago e o monstro que criou Denis bebiam do mesmo poço. Ele se recostou na cadeira, uma onda de náusea e raiva absoluta lavando sobre ele. Suas mãos tremeram. Ele fechou os olhos, mas tudo o que podia ver era o sorriso frio de seu pai, sobreposto ao rosto de Denis. — Não é possível… — ele sussurrou para a sala vazia, sua voz um rugido abafado. — É outra peça do seu jogo, pai? Mesmo depois de morto, você me assombra? Conectando o meu pesadelo ao dela? A paranoia,
Capítulo 17 Beatriz desceu as escadas sentindo-se como se carregasse um segredo pesado e incômodo nas costas. Cada passo ecoava a memória do toque de Yago, daqueles segundos infinitos em que o mundo se reduzira ao calor de seus braços e à profundidade de seu olhar. Ele já estava lá, de pé diante do fogão, como se fosse uma estátua que sempre ocupara aquele espaço. O café já estava pronto, seu aroma amargo e vigoroso preenchendo o ar. Quando ela entrou, ele se virou, e por uma fração de segundo, um flash de algo não dito, não resolvido, cruzou seus olhos antes de ser rapidamente suplantado por uma cortina de neutralidade impenetrável. — Bom dia — sua voz era suave, mas profissional, como a de um médico fazendo rondas. — Bom dia — Beatriz respondeu, sua própria voz soando anormalmente aguda para seus próprios ouvidos. Ela se apressou em pegar uma xícara, evitando seu olhar. O silêncio que se seguiu era espesso e carregado, tão diferente do silêncio companheiro da noite anterior. Ca
Capítulo 16 O ar pareceu sair da sala. O silêncio não era mais apenas a ausência de som; era uma presença física, pesada e elétrica. Os olhos de Yago, normalmente tão guardados e impenetráveis, estavam completamente abertos para ela. A profundidade que ela sempre sentira estava agora exposta, brilhando com uma intensidade crua que a fez sentir-se tonta. Havia preocupação, sim, mas também uma admiração ardente, uma curiosidade feroz e um desejo tão palpável que ela pôde senti-lo no ar. Seu próprio coração parecia querer bater fora do seu peito. Seus lábios estavam secos. A mão que ela instintivamente havia colocado no peito dele para se apoiar sentia as batidas aceleradas do coração dele através da camiseta fina. Era um ritmo selvagem, um eco do seu próprio. O rosto dele estava tão perto que ela podia contar cada cílio, ver as pequenas marcas de uma vida difícil em sua pele, sentir o calor de sua respiração contra seus lábios. Ele a estava olhando como se ela fosse a única coisa rea





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