Mundo de ficçãoIniciar sessãoEla invadiu a cobertura dele para roubar uma fortuna, mas acabou roubando o coração da sua filha. Jinx é uma ladra de elite acostumada a não deixar rastros. Aeron Vale é um bilionário frio que não confia em ninguém. Quando o assalto perfeito dá errado, Jinx é confundida com a nova babá e, para não ser presa, aceita o papel. Agora, sob o disfarce da desajeitada Sarah, ela tem acesso livre à mansão e ao cofre. O plano é simples: encontrar o chip, roubá-lo e sumir. Mas há dois problemas: a pequena Luna, que só fala com ela, e a atração avassaladora que Aeron sente por sua nova funcionária mentirosa. Jinx está brincando com fogo. O que acontecerá quando o homem que ela deve destruir se tornar o único que ela quer proteger?
Ler maisTrinta segundos. Era o tempo exato que Jinx tinha antes que o firewall secundário reiniciasse e fritasse o sistema de segurança da Torre Vale, transformando a cobertura em uma fortaleza elétrica.
A chuva castigava o vidro panorâmico do prédio. Um caos sonoro perfeito para mascarar o zumbido do cortador a laser. Jinx ajustou a máscara de visão noturna. O vidro cedeu. Com um empurrão suave, ela deslizou para dentro como fumaça preta, as botas táticas aterrissando no tapete persa sem produzir um único decibel de ruído.
O ar do ambiente era gelado e o local tinha cheiro de pura riqueza.
Jinx ergueu os óculos, revelando olhos castanhos amendoados que brilhavam com a frieza de uma profissional. O reflexo no vidro mostrou brevemente seu rosto: a pele pálida e as sardas sobre o nariz — que geralmente lhe davam um ar de inocência juvenil —, agora estavam escondidas pelas sombras do capuz tático.
Ela consultou o mapa holográfico projetado na tela de seu relógio de pulso. O cofre com o chip "Coração de Titânio" deveria estar atrás da parede falsa no corredor leste. Valor estimado: três bilhões de dólares. Era a sua aposentadoria.
— Fácil demais — sussurrou ela, sentindo aquela coceira na nuca que sempre precedia o desastre. — Cadê a pegadinha?
Ela avançou pelo corredor, ignorando vasos da dinastia Ming que pagariam o PIB de um país pequeno. Jinx não era gananciosa; ela era cirúrgica. Ao chegar à porta indicada pelo hacker, seus dedos ágeis digitaram o código.
Uma luz verde piscou.
Click.
Ela empurrou a porta, esperando ver lasers vermelhos e placas de titânio. Em vez disso, deu de cara com nuvens pintadas à mão nas paredes, um móbile de planetas girando lentamente e o cheiro inconfundível de talco de bebê.
Jinx travou, o sangue gelando.
— Merda. A planta estava errada.
Ela girou os calcanhares, pronta para abortar. A regra número um do seu código era clara: Se o cenário mudou? Suma. Ela não era paga para improvisar em quartos de crianças.
Mas foi aí que ela ouviu.
Ghhhk.
Um som úmido, estrangulado. O som desesperador de ar sendo negado a um pulmão pequeno.
Jinx olhou para a cama no centro do quarto. Havia uma criança ali. Uma menina de uns quatro anos, sentada, agarrando a própria garganta com as mãozinhas trêmulas. O rosto dela estava mudando rapidamente para um tom aterrorizante de roxo.
— Ah, não. Nem fodendo.
Jinx jogou a mochila de trinta mil dólares no chão como se fosse lixo. O "modo ladra" desligou e o instinto humano assumiu o controle.
Ela correu até a cama. A menina estava em pânico absoluto, os olhos arregalados, a boca aberta num grito mudo. Jinx girou a criança, posicionando-se atrás dela. O corpo da menina era frágil demais contra o peito revestido de kevlar de Jinx.
— Cospe isso, vamos! — Jinx rosnou, fechando o punho sobre a boca do estômago da pequena e puxando para cima com força.
Uma vez. Nada. A menina estava ficando mole nos braços dela.
Não morre no meu turno, garota. Não ouse.
A segunda compressão foi mais forte. Jinx sentiu uma costela estalar sob a pressão, mas não parou. Era melhor uma costela quebrada do que um caixão branco minúsculo.
Na terceira vez, uma peça de brinquedo de montar vermelha voou da boca da menina e bateu no assoalho com um clack seco.
A criança puxou o ar com um chiado horrível, parecendo um aspirador entupido, e logo depois começou a chorar. Um choro alto, rouco e, o mais importante, vivo. Jinx caiu de joelhos ao lado da cama, as pernas subitamente virando gelatina, e puxou a menina para seu colo.
— Tá tudo bem... já passou — a voz dela saiu trêmula, a mão enluvada alisando o cabelo suado da criança.
BAAM!
A porta do quarto foi arrombada com violência, batendo contra a parede. A luz do corredor inundou o quarto, cegando Jinx momentaneamente.
— LARGUE ELA!
A voz era como um trovão. Jinx piscou, tentando ajustar a visão, e seu sangue parou ao ver a figura na porta.
Aeron Vale.
Ele era muito maior ao vivo do que nas capas da Forbes. Ele vestia apenas uma calça de pijama de seda preta, o peito nu e largo subindo e descendo em uma respiração raivosa. Mas o que prendeu a atenção de Jinx não foi o abdômen definido ou a cicatriz fina acima da sobrancelha direita que gritava "perigo". Foi a pistola 9mm prateada na mão dele, apontada diretamente para a testa dela.
Os olhos castanhos esverdeados dele eram gelo puro. Não havia humanidade alguma ali. Apenas um pai vendo uma figura vestida de preto tático segurando sua filha no escuro.
— Se você mover um músculo, eu estouro seus miolos — Aeron disse. A voz dele estava assustadoramente calma.
Jinx começou a levantar as mãos devagar. Ela sabia exatamente como aquilo parecia. Uma assassina pega no flagra.
— Eu não ia machucá-la — Jinx disse, a voz firme, embora o coração estivesse batendo na garganta. — Ela estava engasgada. Eu a salvei.
— Cala a boca. — Aeron destravou a arma com um clique metálico. — Afaste-se da minha filha. AGORA!
Jinx fez menção de se levantar, mas sentiu um peso na sua perna direita.
Era a menina. Ela não havia corrido para o pai. O rosto dela estava enterrado na perna de Jinx, os braços pequenos agarrados à coxa da ladra como se sua vida dependesse disso. Ela soluçava e se recusava a soltar.
Aeron vacilou. A arma em sua mão tremeu por uma fração de segundo. Uma dor crua, de ciúmes e confusão, brilhou nos olhos do CEO. A própria filha preferia o abraço de uma invasora mascarada do que o abraço dele.
— Luna? — Aeron chamou, a voz falhando. — Vem pro papai.
A menina negou com a cabeça e apertou mais a perna de Jinx.
Jinx viu a abertura para escapar. Era sujo e baixo manipular a ferida emocional de um pai, mas ela tinha um chip de três bilhões para roubar e uma vida para salvar: a dela mesma. Ela precisava de uma mentira, e precisava ser a melhor mentira de sua vida.
Ela olhou nos olhos frios de Aeron Vale, deixou os ombros caírem numa postura submissa e ativou sua arma secreta: a voz doce.
— Por favor, Sr. Vale, não atire — ela disse, injetando um tremor calculado na fala. — A agência mandou avisar que eu chegaria tarde por causa da tempestade. A porta da frente estava trancada... Eu entrei pela janela de serviço.
Aeron franziu a testa, a arma ainda travada no rosto dela.
— Quem diabos é você?
Jinx engoliu em seco e sorriu, nervosa.
— Eu sou Sarah. A nova babá.
[FIM DO CAPÍTULO]
O sol estava se pondo sobre o vale do rio Hudson, pintando o céu de tons violentos de roxo e laranja, como um hematoma cicatrizando.Aeron estava na varanda de pedra da casa principal, apoiado no parapeito largo, segurando uma copo de uísque envelhecido. O líquido âmbar capturava a luz do crepúsculo.Lá embaixo, no gramado que se estendia até a orla da floresta, a vida acontecia.Luna estava correndo atrás de vaga-lumes, com um pote de vidro na mão, rindo enquanto as luzes piscavam ao redor dela. Liam, agora com passos firmes e desajeitados de um ano e meio, tentavam seguindo a irmã, caindo na grama macia e levantando-se com a determinação teimosa de um Vale. O cachorro da família — um pastor alemão aposentado da unidade K-9 que Jinx adotou de um canil da polícia — vigiava as crianças com uma paciência estoica.Era uma cena perfeita. Era tudo o que Aeron pensou que nunca teria, porque homens como ele não tinham finais felizes; eles tinham danos colaterais.— Você está pensando demais,
A festa tinha acabado.O silêncio desceu sobre a casa de campo como um cobertor pesado e confortável. Os convidados tinham ido embora, Bit tinha se retirado para sua "caverna" na casa de hóspedes (provavelmente para limpar o glacê do teclado), e as crianças... bem, as crianças tinham desmaiado.Liam dormia em seu berço, exausto pela overdose de açúcar e atenção. Luna tinha adormecido no sofá da sala e Aeron a carregou para o quarto dela minutos atrás.Jinx estava sozinha no quarto principal.Ela caminhou até o closet.Haviam vestidos de seda, casacos de caxemira e sapatos de grife. Roupas de uma mulher que frequenta leilões beneficentes e jantares de gala.Jinx passou a mão pelos tecidos caros, sentindo a maciez. Eram bonitos. Eram confortáveis. Mas não tinham história.Ela caminhou até o fundo do closet, onde uma prateleira alta, quase fora de alcance, guardava caixas de armazenamento. Ela pegou uma escada de mogno e subiu.Lá, escondida atrás de uma caixa de chapéus de inverno que n
Jinx segurava a faca como se fosse matar alguém.Seus dedos se fecharam no cabo, calculando o ângulo de ataque. A lâmina era longa, serrilhada e brilhava sob a luz do sol que inundava o jardim. Ela respirou fundo, focou no alvo e desceu o braço.— Sarah, querida, você está tentando assassinar o bolo ou quer cortar uma fatia?A voz da Sra. Potts quebrou o transe.Jinx piscou, olhando para o bolo de três andares coberto de glacê azul-bebê à sua frente. Ela tinha acabado de decapitar um urso de açúcar com uma violência desnecessária.— Desculpa, Sra. Potts — Jinx murmurou, soltando a faca de corte e pegando a espátula. — São velhos hábitos.O jardim da Fortaleza estava irreconhecível. Onde antes havia perímetros de segurança e sensores de movimento, agora havia balões prateados e azuis amarrados às árvores. Onde antes tinham atiradores de elite, agora havia uma mesa de buffet carregada de doces que poderiam induzir um coma diabético em um exército.Era a festa de um ano de Liam Vale.E e
POV AeronAeron já tinha ouvido muitos tipos de gritos. Gritos de dor em campos de batalha, gritos de raiva em salas de interrogatório, gritos de terror durante sequestros. Ele conhecia a frequência exata do desespero humano.Mas nada, absolutamente nada, o preparou para o som que Jinx fez naquela sala de parto.Não era um grito de vítima. Era um rugido. Primitivo, gutural, rasgando o ar estéril da sala de parto do hospital como se ela estivesse declarando guerra contra a própria biologia.— Aeron! — Ela esmagou a mão dele. Ele sentiu os ossos de seus dedos estalarem sob a pressão. Se ela não estivesse conectada a monitores, ele juraria que ela quebraria sua mão. — Se você disser "respire" mais uma vez, eu juro que arranco sua laringe!Aeron estava pálido. O suor escorria por suas costas, encharcando a camisa cirúrgica azul que o obrigaram a vestir. Ele era um homem que comandava exércitos privados, mas ali, segurando a mão da mulher que amava enquanto ela se contorcia em uma agonia q
O quarto do bebê cheirava a tinta fresca, madeira serrada e frustração masculina.Jinx estava sentada na poltrona de amamentação — um móvel absurdamente confortável que custava mais do que o primeiro carro de fuga que ela roubou —, com as mãos pousadas sobre a barriga de oito meses.O bebê se mexeu. Não foi um chute delicado. Foi um movimento de rolamento, como se ele estivesse tentando encontrar uma posição tática melhor ou, mais provavelmente, tentando escapar do útero. Jinx soltou um gemido baixo, massageando a pele esticada.— Ele está agitado — ela comentou.— Ele está sentindo a tensão no ambiente — Aeron resmungou do chão.O CEO da Vale Security, o homem que projetava sistemas de defesa para governos e bancos internacionais, estava sentado no tapete felpudo, cercado por peças de madeira branca, parafusos e uma chave Allen minúscula. Ele estava sem camisa, o suor brilhando em suas costas largas, e parecia pronto para declarar guerra contra o berço desmontado.— Essa instrução es
POV AeronAeron saiu do quarto como quem foge de um incêndio invisível.Ele disse a Jinx que precisava de café. Disse que precisava ligar para a Sra. Potts para avisar que eles passariam a noite no hospital por precaução. Era mentira. Ele precisava sair daquele quarto porque o ar lá dentro tinha ficado subitamente pesado demais para seus pulmões.O corredor da ala VIP do hospital estava deserto. Eram três da manhã. O silêncio era quebrado apenas pelo zumbido elétrico das lâmpadas fluorescentes e pelo som distante de um elevador subindo.Aeron caminhou até o final do corredor, onde uma janela panorâmica dava para a cidade.Ele apoiou a testa no vidro frio. A cidade brilhava lá fora, indiferente.Grávida.A palavra ecoava em sua mente, batendo contra as paredes do seu crânio. Depois do primeiro susto, a palavra “gravidez” o atingiu. A notícia deveria ser o ápice da felicidade humana. Mas para Aeron Vale, aquela palavra começou a ter gosto de metal retorcido e cheiro de gasolina queimada
Último capítulo