O jantar não seria na nossa casa, mas na residência principal da família, uma propriedade ainda mais antiga e intimidante do outro lado do terreno. O carro parou e o motorista abriu a porta. O ar da noite estava frio, mas eu suava frio dentro do vestido de seda.Gabriel desceu primeiro e estendeu a mão para me ajudar. Quando meus dedos tocaram os dele, ele apertou minha mão com uma força desnecessária.— Sorria — ele murmurou entre dentes, com um sorriso falso colado no rosto. — Estamos apaixonados, lembra?Forcei os cantos da minha boca a subirem, embora meu estômago estivesse dando nós. — Estou sorrindo, querido — respondi, destilando sarcasmo na última palavra.Entramos na sala de jantar. Era um ambiente cavernoso, iluminado por candelabros de prata e decorado com retratos de ancestrais que pareciam julgar cada passo meu. Na cabeceira da mesa longa de mogno, estava sentado Roberto Montiel.O patriarca da família tinha oitenta anos, mas seus olho
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