O Preço do Desejo: A Esposa Contratada do CEO
O Preço do Desejo: A Esposa Contratada do CEO
Por: Sally Skellington
Capítulo 1: O Fim da Linha

O som seco e definitivo do carimbo batendo contra o papel ecoou na sala pequena e refrigerada como um tiro de revólver à queima-roupa. Aquele ruído selou o meu destino.

— Negado — disse o gerente do banco, Sr. Almeida, sem nem mesmo se dar ao trabalho de levantar os olhos da tela do computador para me encarar. — Sinto muito, Srta. Elisa. O sistema foi claro. Sem garantias reais, sem fiador e com o histórico recente de inadimplência, não há linha de crédito disponível para você. O banco não é uma instituição de caridade.

Senti o chão desaparecer sob meus pés, como se um buraco negro tivesse se aberto no piso de linóleo barato. Minhas mãos, pousadas sobre o colo, tremiam tanto que tive que entrelaçar os dedos com força para esconder o desespero.

— Por favor, Sr. Almeida — minha voz saiu como um sussurro quebrado, arranhando minha garganta. — O senhor não entende. Não é para comprar um carro ou viajar. É para a cirurgia da minha mãe. Se eu não pagar a entrada do hospital até sexta-feira, eles vão suspender o tratamento. É uma questão de vida ou morte. Eu trabalho em dois empregos, faço horas extras, eu prometo que vou pagar cada centavo, nem que leve a vida toda…

O homem suspirou, um som longo e irritado, e finalmente olhou para o relógio de pulso dourado, claramente entediado com a minha tragédia pessoal.

— Próximo! — ele gritou para a antessala, ignorando completamente minha súplica, como se eu fosse invisível.

Saí do banco cambaleando, com as pernas fracas. O sol do meio-dia no Rio de Janeiro atingiu meu rosto com violência, zombando da minha miséria. O calor era sufocante, o barulho do trânsito era ensurdecedor, mas eu sentia um frio terrível, um gelo que vinha de dentro dos meus ossos.

Quinhentos mil reais. Esse era o preço da vida da única pessoa que me amava incondicionalmente no mundo. E eu tinha exatos trinta e sete reais e cinquenta centavos na conta bancária. A ironia era cruel demais.

Caminhei sem rumo pela calçada movimentada da Avenida Rio Branco, esbarrando em executivos apressados que nem notavam minha existência. As lágrimas começaram a embaçar minha visão, transformando as luzes dos semáforos em borrões coloridos. Eu era uma ninguém. Uma formiga que poderia ser esmagada pelo destino a qualquer momento.

Foi quando a realidade mudou.

Um carro preto, lustroso e imponente como uma fera de metal, cortou o trânsito e freou bruscamente ao meu lado, bloqueando minha passagem na calçada. Era um sedã de luxo, blindado, do tipo que custava mais do que eu ganharia em dez vidas.

O vidro traseiro desceu lentamente, com um zumbido elétrico quase imperceptível. Um jato de ar condicionado gelado escapou de dentro do veículo, trazendo consigo o cheiro inconfundível de couro caro e perfume masculino importado, uma fragrância de madeira e poder.

Um homem estava sentado lá dentro, imerso na penumbra do interior luxuoso. Ele usava óculos escuros de grife, mas mesmo sem ver seus olhos, eu podia sentir a intensidade do seu olhar me dissecando, avaliando cada centímetro da minha postura derrotada, como se eu fosse um produto em uma prateleira de liquidação.

— Elisa Campos? — a voz dele era grave, autoritária e não admitia questionamentos. Não era uma pergunta, era uma confirmação.

Dei um passo para trás, assustada, apertando a alça da minha bolsa velha. — Quem é você? Como sabe meu nome?

Ele não respondeu imediatamente. Em vez disso, estendeu um envelope pardo pela janela aberta. O papel era grosso, pesado, de uma qualidade que eu jamais tinha tocado.

— Eu sei tudo sobre você, Elisa. Sei da dívida hospitalar da sua mãe, Dona Marta. Sei que você foi demitida da cafeteria ontem por chegar atrasada depois de passar a noite no hospital. E sei que você está desesperada o suficiente para fazer qualquer coisa.

Meu coração falhou uma batida, batendo dolorosamente contra as costelas. O medo se misturou com uma esperança perigosa. — O que você quer? — perguntei, minha voz trêmula.

Os lábios dele se curvaram em um sorriso que não chegou aos olhos. Era um sorriso predador, de um lobo que acabou de encurralar um cordeiro.

— A pergunta certa não é o que eu quero — ele disse, abrindo a porta do carro com um clique suave. — A pergunta é: o que você está disposta a vender para salvar a sua mãe? Entre. Temos um negócio para discutir.

Eu sabia que não devia. Minha mente gritava PERIGO em letras neon. Minha mãe sempre me disse para nunca entrar no carro de estranhos. Mas a imagem dela, pálida e frágil na cama do hospital, conectada a máquinas que apitavam ritmicamente, brilhou na minha mente, apagando qualquer senso de autopreservação.

Engoli o medo a seco, sentindo o gosto amargo da bile na boca, e entrei no carro. A porta bateu, trancando o mundo lá fora e me prendendo na escuridão com aquele estranho. Eu tinha acabado de vender minha alma ao diabo, só não sabia o preço ainda.

Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
capítulo anteriorpróximo capítulo
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App