Passei o dia em silêncio. Não um silêncio de medo, mas de preparo. A mala estava feita há duas semanas, escondida no fundo do armário, atrás de caixas de roupas que Adriano nunca teria paciência de mexer. O envelope com os papéis do divórcio repousava sobre a penteadeira, pesado como chumbo e, ao mesmo tempo, libertador como o ar que antecede a tempestade.
Escrevi meu nome no fim da última página com calma, como quem assina não apenas um documento, mas uma nova vida. “Clara Monteiro.” As letras