Felipe — Horas depois
Há dias em que o perigo chega berrando. Explode portas, acende sirenes, quebra o ar com violência. E há dias — como hoje — em que ele entra pela fresta, silencioso, educado, quase cortês, como se tivesse sido convidado para o caos que está prestes a causar. E eu reconheço esse tipo de perigo. Ele é sempre o pior.
Estou na minha sala, encarando relatórios que não fazem mais sentido algum. As letras se embaralham, as linhas se tornam sombras. Minha cabeça não está aqui — fi