O relógio marcava 2h17 da madrugada. O esconderijo de Mauro, uma casa isolada nas redondezas da fronteira, estava mergulhado em penumbra. As paredes grossas abafavam qualquer ruído do mundo exterior. Apenas o som estático da televisão preenchia o espaço — o replay da coletiva de Amanda ecoava no ambiente, repetindo as mesmas frases, a mesma firmeza no olhar dela.
Mauro estava sentado em uma poltrona de couro gasta, os cotovelos apoiados nos joelhos, o rosto iluminado apenas pela luz azulada da