A casa já estava em silêncio. Mas era o tipo de silêncio bonito — não o que vem da solidão, mas o que nasce da paz. Da plenitude. Do depois.
Lá fora, uma garoa fina dançava sobre o jardim iluminado por fios de luz âmbar. O vidro embaçado refletia sombras que se moviam lentamente, como se o tempo tivesse enfim aprendido a caminhar com calma.
Lá dentro, o perfume de lavanda se misturava ao cheiro quente de madeira antiga, páginas de livros gastos e massinha de modelar esquecida no canto do tapete