Mundo de ficçãoIniciar sessãoQuando Elena, uma professora dedicada e de vida tranquila, cruza o caminho de Lorenzo Moretti, o enigmático chefe de uma família mafiosa, seu mundo vira de cabeça para baixo. O que começa como um pedido inesperado rapidamente se transforma em uma ligação intensa e proibida. Entre segredos, perigos e uma atração impossível de ignorar, ela descobre que amar um homem como ele pode custar muito mais do que o coração. E Lorenzo percebe que, pela primeira vez, encontrou alguém que pode mudar todas as suas regras.
Ler maisA noite estava extraordinariamente silenciosa.
Não era o tipo de silêncio comum da madrugada, mas um vazio denso, pesado, como se a própria cidade prendesse a respiração à espera de algo inevitável. O vento gelado rasgava as ruas estreitas, arrastando consigo papéis velhos, memórias esquecidas e um aviso que poucos seriam capazes de ouvir. Lorenzo Moretti, aos vinte e quatro anos, ainda não era o chefe da família — mas já carregava sombras suficientes para um homem feito. O terno escuro não escondia os respingos de sangue, nem a ferida profunda no braço, resultado da emboscada horas antes. Porém, não era a dor física que o mantinha acordado; era a consciência ardente de que a vida que conhecia acabara de ser destruída. O corpo do pai havia sido retirado há poucos minutos. Um lençol branco agora cobria o homem que, por décadas, fizera a cidade tremer. O patriarca Moretti estava morto. E Lorenzo sabia: aquele assassinato não tinha sido um ataque aleatório. Alguém entregara o pai. Alguém próximo. Os olhos dele fixaram o relógio antigo na parede, um item que o pai sempre mantivera em seu escritório. O ponteiro dos segundos parecia zombar dele, marcando o tempo com precisão cruel. Tic. Tac. Tic. Tac. A porta atrás dele se abriu devagar. — Lorenzo… — a voz era fraca, quebradiça. Isabella, sua irmã de apenas sete anos, tremia na moldura da porta, segurando um ursinho desgastado. Ele imediatamente suavizou o semblante. Mesmo ferido, mesmo sujo, mesmo quebrado, ainda conseguia sorrir por ela. — Venha cá, piccola. — Ele se ajoelhou, ignorando a dor que latejou no peito. Isabella correu para seus braços. O pequeno corpo dela parecia miúdo demais, frágil demais, para o mundo que teriam pela frente. — Eles disseram que o papai não vai voltar… — ela sussurrou, a voz sufocada contra o ombro dele. — É verdade? Lorenzo fechou os olhos por um instante. Quando os abriu, sua decisão estava tomada. O último resquício de inocência desapareceu. — Sim. — Sua voz saiu firme, embora uma morte silenciosa se instalasse dentro dele. — Mas eu estou aqui. E nada… absolutamente nada… vai te machucar. Nunca. Entendeu? Isabella assentiu, soluçando. Lorenzo a apertou mais forte. A partir daquela noite, o mundo que conheciam se tornaria um campo minado de alianças quebradas e inimigos invisíveis. E ele sabia quem seria o primeiro a tentar arrancar tudo o que restava da família: Adriano Moretti, o próprio tio. Lorenzo ergueu o olhar para o escritório vazio, uma promessa queimando em seu peito. — Eu vou descobrir quem fez isso. — disse ele, em voz baixa, suave como ameaça. — E vou destruir cada um deles. A porta se fechou atrás dele quando ele levou Isabella para fora do escritório, protegendo-a com o próprio corpo. E enquanto caminhava pelo corredor mal iluminado, com a irmã dormindo em seus braços, uma certeza silenciosa se formou: A vida que ele teria dali em diante seria feita de aço, sangue e segredos. Mas havia algo que ele ainda não sabia… Alguns anos depois, em uma sala iluminada pelo cheiro de livros e giz, ele encontraria a única pessoa capaz de desmontar aquilo que ele se esforçara tanto para construir: suas paredes, suas armas e sua alma. E esse encontro — tão improvável quanto fatal — mudaria tudo.Elena acordou com uma sensação estranha.Não era medo.Não era ansiedade.Era… antecipação.A conversa da noite anterior com Lorenzo ainda ecoava em sua mente, como se cada frase dele estivesse tatuada no ar que ela respirava.“Quero que entres na minha vida.Quero te proteger.Quero que escolhas sem medo.”Ela se sentou na cama, abraçando os joelhos, tentando entender como um homem como ele — poderoso, temido, cheio de segredos — podia olhar para ela como se estivesse diante de algo precioso.Mas antes que pudesse aprofundar o pensamento, ouviu vozes na cozinha.Rita.A melhor amiga já estava lá, provavelmente conversando com seus pais, porque privacidade era um conceito que Rita simplesmente ignorava.Elena respirou fundo e se levantou.Quando entrou na cozinha, encontrou os três sentados à mesa, a conversa suspensa no momento em que a viram.— Dorminhoca — Rita disse com um sorriso travesso. — Temos muito que conversar.A mãe de Elena observou a filha com um olhar que misturava pre
Elena caminhava rápido pela rua iluminada, sentindo o vento frio bater contra o rosto, tentando ordenar o torvelinho de pensamentos que a consumia. Ela estava indo encontrá-lo. De novo. Depois de tudo. A mãe de Lorenzo havia deixado cicatrizes invisíveis na sua dignidade naquela manhã. Poucas pessoas conseguiam feri-la com palavras, mas aquela mulher… aquela mulher tinha o dom de fazer o mundo inteiro parecer um lugar onde Elena não pertencia. E ainda assim, ali estava ela, seguindo em direção ao homem que causava tanto caos dentro dela. Cada passo parecia mais alto do que o normal, como se ecoasse na calçada vazia. Quando dobrou a esquina e avistou o restaurante onde Lorenzo marcara o encontro, o estômago se contraiu. As janelas eram amplas, elegantes, e mesmo de longe ela pôde ver que o salão interno estava vazio. Reservado. Preparado. Para eles dois. O coração bateu forte. — Elena? Ela se virou. Rita estava parada na calçada, exatamente como Elena temera — porque o des
ELENAA sala parecia menor naquela noite.Ou talvez fosse ela quem se sentia pequena diante da conversa que precisava ter.Os pais esperavam em silêncio, sentados no sofá.A mãe, com as mãos cruzadas no colo, observava com preocupação amorosa.O pai, sério, com aquela postura de quem pressente tempestades.Elena respirou fundo.— Mãe… pai… — começou, com dificuldade. — Eu conheci alguém.A mãe abriu um sorriso, mas o pai permaneceu atento, como se tentasse ler além das palavras.— Isso é ótimo, querida — disse Marina. — Quem é ele?Elena hesitou.— O nome dele é Lorenzo.— E o que ele faz? — perguntou Carlos, direto.A pergunta caiu como uma pedra no estômago de Elena.O que Lorenzo “fazia” não era algo que se dissesse numa sala de jantar.— É… complicado — murmurou ela. — Ele é empresário. Mas… há coisas da família dele que não vou mentir para vocês: são difíceis.Os pais se entreolharam, e dessa vez o sorriso da mãe desapareceu.— Ele é perigoso? — perguntou Carlos, sem rodeios.Ele
CATERINAO salão privado da mansão estava silencioso, exceto pelo som suave do decanter onde Caterina servia o próprio vinho. Cada movimento era calculado, elegante, frio.Ela observava os jardins lá fora, como se fossem um tabuleiro de xadrez.— Seu filho está perdendo o foco — disse uma voz masculina às suas costas.Era Vittore Moretti, primo distante, conselheiro de longa data e um homem cuja lealdade à família sempre fora absoluta.Ele próprio, temido nos bastidores.— Não — respondeu Caterina, calmamente. — Ele está cedendo.E quando Lorenzo cede… o que vem depois é sempre destruição.Vittore cruzou os braços.— A professora pode ser um problema.Caterina sorveu um gole do vinho, sem emoção.— Todos podem ser um problema. A diferença… é que alguns precisam ser eliminados com mais delicadeza.Vittore estreitou os olhos.— E Lorenzo?Ela sorriu, um sorriso tão suave quanto mortal.— Lorenzo nunca precisou saber de tudo que faço pelo bem dele.ELENAElena caminhava até o carro, aind
LORENZOAssim que Elena se afastou pelo corredor, Lorenzo manteve os olhos fixos na mãe.— O que você disse a ela? — perguntou, sem rodeios.Caterina ergueu o queixo, impassível.— O que precisava ser dito.— Não da sua conta.Ela arqueou uma sobrancelha com a calma de quem raremente é contrariada.— Tudo que diz respeito a você é da minha conta, Lorenzo. E sempre será.Ele respirou fundo, mas não naquele autocontrole elegante que exibia em reuniões ou negociações.Era um controle tenso, feroz, como uma fera que tentava se manter contida.— Elena não tem nada a ver com o que somos — disse ele.— Precisamente. E deve permanecer assim — respondeu Caterina, cruzando as mãos. — Lorenzo, eu vi como você olhou para ela. Não seja ingênuo. Cada vez que você se aproxima de alguém fora da nossa esfera… alguém paga.— Eu pago — retrucou ele.— Não. — A voz dela ficou mais baixa, mais afiada. — Nós pagamos. A família. Isabella. Eu.Lorenzo estremeceu — de fúria ou de dor, nem ele sabia.— Você a
LORENZOA mansão Moretti tinha um silêncio particular — pesado, sólido, quase ancestral. Um silêncio que Lorenzo conhecia bem, e que sempre anunciava a mesma coisa: sua mãe estava em casa.Ele caminhou pelo corredor principal, o piso de mármore refletindo os passos precisos.Ninguém ousava falar quando ele passava.Mas quando se tratava dela, o respeito se tornava reverência.No final do corredor, a porta do salão estava entreaberta.Ele ouviu o som de taças, o eco elegante de porcelana sendo colocada sobre bandejas.E então, a voz dela:— Isabella, querida, sente-se direito. Você é uma Moretti, não uma criança assustada.Lorenzo fechou os olhos por um segundo antes de entrar.A mãe estava de costas, com o cabelo preso num coque impecável, postura ereta como uma rainha. Usava um vestido escuro, discreto, mas tão refinado que denunciava poder antes mesmo de qualquer palavra.Ao vê-lo entrar, ela ergueu o queixo de leve.— Lorenzo.— Mamãe.Isabella sorriu para o irmão, aliviada pela pr










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