ELENA
A sala parecia menor naquela noite.
Ou talvez fosse ela quem se sentia pequena diante da conversa que precisava ter.
Os pais esperavam em silêncio, sentados no sofá.
A mãe, com as mãos cruzadas no colo, observava com preocupação amorosa.
O pai, sério, com aquela postura de quem pressente tempestades.
Elena respirou fundo.
— Mãe… pai… — começou, com dificuldade. — Eu conheci alguém.
A mãe abriu um sorriso, mas o pai permaneceu atento, como se tentasse ler além das palavras.
— Isso é ótimo, querida — disse Marina. — Quem é ele?
Elena hesitou.
— O nome dele é Lorenzo.
— E o que ele faz? — perguntou Carlos, direto.
A pergunta caiu como uma pedra no estômago de Elena.
O que Lorenzo “fazia” não era algo que se dissesse numa sala de jantar.
— É… complicado — murmurou ela. — Ele é empresário. Mas… há coisas da família dele que não vou mentir para vocês: são difíceis.
Os pais se entreolharam, e dessa vez o sorriso da mãe desapareceu.
— Ele é perigoso? — perguntou Carlos, sem rodeios.
Ele