LORENZO
Assim que Elena se afastou pelo corredor, Lorenzo manteve os olhos fixos na mãe.
— O que você disse a ela? — perguntou, sem rodeios.
Caterina ergueu o queixo, impassível.
— O que precisava ser dito.
— Não da sua conta.
Ela arqueou uma sobrancelha com a calma de quem raremente é contrariada.
— Tudo que diz respeito a você é da minha conta, Lorenzo. E sempre será.
Ele respirou fundo, mas não naquele autocontrole elegante que exibia em reuniões ou negociações.
Era um controle tenso, feroz, como uma fera que tentava se manter contida.
— Elena não tem nada a ver com o que somos — disse ele.
— Precisamente. E deve permanecer assim — respondeu Caterina, cruzando as mãos. — Lorenzo, eu vi como você olhou para ela. Não seja ingênuo. Cada vez que você se aproxima de alguém fora da nossa esfera… alguém paga.
— Eu pago — retrucou ele.
— Não. — A voz dela ficou mais baixa, mais afiada. — Nós pagamos. A família. Isabella. Eu.
Lorenzo estremeceu — de fúria ou de dor, nem ele sabia.
— Você a