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CAPÍTULO 5 — O COMEÇO DO PERIGO

ELENA

A chuva começou no fim da tarde, grossa e repentina, batendo contra as janelas da escola como dedos impacientes. Elena aguardou até os corredores esvaziarem antes de arrumar a bolsa e sair. Queria caminhar até o ponto de ônibus — a chuva relaxava sua mente.

Mas, ao dobrar a esquina do prédio, sentiu imediatamente que algo estava errado.

Do outro lado da rua, havia um carro preto estacionado. Janelas escuras. Motor ligado. Ela não reconhecia a placa, nem o modelo. Normalmente, não notaria… mas havia algo no veículo que chamava atenção.

Não se movia.

Não desligava.

Não partia.

Apenas… observava.

Um arrepio deslizou pela coluna de Elena.

Talvez fosse paranoia. Talvez fosse só alguém esperando. Talvez fosse…

Talvez fosse por causa dele.

Ela respirou fundo, tentando ignorar o incômodo, e começou a caminhar. Mas, conforme avançava, notou o carro se movendo lentamente, acompanhando seu passo — discreto, mas não suficiente para ser ignorado.

Elena apertou a alça da bolsa.

Não queria correr.

Não queria demonstrar medo.

Quando chegou ao ponto, olhou novamente. O carro continuava ali, a alguns metros, faróis acesos.

Seu coração acelerou.

E então, antes que pudesse pensar no que fazer, uma motocicleta surgiu ao longe — rápida, silenciosa, como se tivesse saído da neblina. Parou exatamente em frente a ela.

O capacete era escuro demais para identificar quem estava ali.

Elena recuou instintivamente.

— Professora Elena? — a voz era masculina, porém educada.

— Quem é você? — ela perguntou, tentando manter a voz firme.

O homem ergueu a viseira.

— Sou Erik. Trabalho para o senhor Moretti. Ele pediu que eu a acompanhasse até em casa.

Elena sentiu o mundo parar.

— O Lorenzo mandou você? Por quê?

Erik olhou para o carro preto atrás deles, e então de volta para ela.

— É melhor conversarmos no caminho.

---

LORENZO

O telefone de Lorenzo tocou exatamente quando ele estava assinando documentos. Ele reconheceu o número de Erik imediatamente.

— Fale. — ordenou.

— Senhor… você estava certo. — disse Erik, com o tom que Lorenzo detestava ouvir. — Tinha um carro monitorando a professora. Motorista desconhecido. Comportamento suspeito.

O corpo de Lorenzo endureceu.

— E Elena?

— Conduzi até em casa. Ela está segura. Mas… estava assustada.

Lorenzo fechou os olhos por um segundo.

Assustada.

Ele odiava essa palavra a ponto de sentir a raiva pulsando nas têmporas.

— Investigue o carro. Descubra quem era o motorista. Agora.

— Sim, senhor.

Quando desligou, Lorenzo arremessou a caneta sobre a mesa.

Era isso que ele temia.

O peso da família Moretti não estava apenas sobre ele.

Agora, tocava alguém que não tinha escolhido — alguém que não compreendia esse mundo… e que não podia suportar suas sombras.

Elena não devia ter sido envolvida.

Mas alguém já havia percebido seu interesse.

E isso a tornava um alvo.

Lorenzo pegou o casaco e saiu do escritório.

Não esperaria mais um segundo.

---

ELENA

A chuva continuava forte quando Elena e Erik chegaram em frente ao prédio dela. Ele estacionou a moto e falou com respeito:

— Sinto muito se assustei a senhora. Só cumpri ordens.

— Não estou assustada com você — ela respondeu, apesar de sua voz trair a verdade. — Estou assustada… com o motivo.

Erik hesitou, então finalmente disse:

— O senhor Moretti tem inimigos. Pessoas que observam tudo o que ele faz. Tudo o que ele protege.

"Protege."

A palavra ficou presa na mente dela.

— E por que alguém estaria olhando pra mim? — perguntou, quase num sussurro.

Erik desviou o olhar.

— Porque ele… se importa.

Elena apertou os lábios.

Aquilo era errado.

Era perigoso.

Era insensato.

E ainda assim, era impossível negar a intensidade com que o nome de Lorenzo afetava seu corpo.

— Obrigada por me acompanhar — ela disse, tentando recuperar alguma formalidade. — Diga ao seu… chefe que isso não é necessário.

Erik respirou fundo, quase com pena.

— Com todo respeito, professora… não é você quem decide isso.

Antes que Elena pudesse responder, as luzes de um carro surgiram na esquina. Um SUV preto aproximava-se devagar.

Erik se endireitou imediatamente.

— É ele.

O coração de Elena falhou um batimento.

---

LORENZO

Quando Lorenzo saiu do carro e caminhou na direção dela, Elena sentiu algo inexplicável — uma mistura de segurança e medo, como se a chegada dele fosse tanto uma proteção quanto um aviso.

Ele estava molhado pela chuva, terno escuro colado ao corpo, expressão fechada e perigosa.

— Elena. — disse ele, e apenas o nome dela parecia um toque.

Ela cruzou os braços, tentando não tremer.

— Você mandou alguém me seguir?

Lorenzo manteve o olhar firme.

— Mandei alguém te proteger.

— Sem me avisar? — ela questionou, ferida. — Sem perguntar?

— Não podia arriscar. — respondeu ele, aproximando-se mais. — Havia um carro observando você. Não sabemos quem era, mas não era alguém da minha equipe.

Elena levou a mão ao peito.

— Lorenzo, isso é sério demais. Eu sou só uma professora. Não pertenço a esse mundo.

Ele deu mais dois passos — agora tão perto que a chuva nos ombros dele respingava na pele dela.

— Eu não quero você nesse mundo. — confessou ele, a voz baixa, carregada. — Mas quando você entrou no meu… certas pessoas podem ter interpretado isso de outro jeito.

Elena engoliu em seco.

— Interpretado como?

O olhar dele escureceu.

— Como se você importasse para mim.

Silêncio.

Pesado, denso, quente, inevitável.

O coração de Elena batia tão alto que ela tinha certeza de que ele podia ouvir.

— Lorenzo… — ela murmurou, dando um passo para trás. — Nós mal nos conhecemos.

Ele segurou o pulso dela com suavidade surpreendente — nada agressivo, apenas firme o suficiente para ancorá-la.

— Eu sei. — disse ele. — Mas às vezes não é preciso tempo para saber quando algo — alguém — importa.

Ela fechou os olhos por um instante, sentindo o toque dele como fogo.

— Isso é perigoso. — murmurou.

— Para você, é. — admitiu ele. — Para mim… é inevitável.

Elena abriu os olhos.

A chuva caía forte.

O mundo parecia menor ao redor deles.

— Lorenzo… eu não posso…

Mas ele interrompeu, dando um passo que destruiu a distância final.

— Eu não vou deixar nada acontecer com você. — disse ele, com uma certeza que fazia tremer o chão. — Mesmo que você ainda não queira fazer parte da minha vida.

No fundo, Elena já sabia:

Ele não era o tipo de homem que dizia coisas da boca para fora.

Se Lorenzo prometia proteção…

era porque algo maior estava prestes a acontecer.

Algo que ela ainda não compreendia.

Algo que poderia mudá-la para sempre.

E ao sentir o calor da mão dele na sua, Elena entendeu:

Os laços invisíveis já estavam formados.

E não havia retorno.

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