LORENZO
A mansão Moretti tinha um silêncio particular — pesado, sólido, quase ancestral. Um silêncio que Lorenzo conhecia bem, e que sempre anunciava a mesma coisa: sua mãe estava em casa.
Ele caminhou pelo corredor principal, o piso de mármore refletindo os passos precisos.
Ninguém ousava falar quando ele passava.
Mas quando se tratava dela, o respeito se tornava reverência.
No final do corredor, a porta do salão estava entreaberta.
Ele ouviu o som de taças, o eco elegante de porcelana sendo colocada sobre bandejas.
E então, a voz dela:
— Isabella, querida, sente-se direito. Você é uma Moretti, não uma criança assustada.
Lorenzo fechou os olhos por um segundo antes de entrar.
A mãe estava de costas, com o cabelo preso num coque impecável, postura ereta como uma rainha. Usava um vestido escuro, discreto, mas tão refinado que denunciava poder antes mesmo de qualquer palavra.
Ao vê-lo entrar, ela ergueu o queixo de leve.
— Lorenzo.
— Mamãe.
Isabella sorriu para o irmão, aliviada pela pr