Clara se levanta num pulo, os olhos arregalados.
— O quê?! — ela exclama, a voz carregada de incredulidade.
Ana fica imóvel, processando a informação com uma calma que eu invejo.
— Quando isso aconteceu? — ela pergunta, mantendo o tom baixo.
— Antes de ele viajar para o Rio — eu respondo, sentindo o gosto amargo da memória.
— E você está me falando isso só agora? — Clara leva a mão à boca, o choque dando lugar a uma mágoa evidente. — Meu Deus, Nati… por que guardou isso sozinha?
— Não tem papel assinado — eu continuo atropelando as palavras, como se precisasse me justificar. — Não tem advogado batendo na porta. Não tem carta formal. Nada. Ainda. Ele diz que vai resolver tudo com a discrição de sempre… e até agora, nada.
Ana se senta devagar no braço do sofá, observando-me com uma tristeza profunda.
— Ele diz o quê, exatamente, Natália? — ela pergunta, buscando os detalhes que eu tento omitir.
— Diz que é melhor assim. Que ele vai cuidar de todos os detalhes. Que eu não preciso me preo