Mundo de ficçãoIniciar sessãoAlice cresceu em um orfanato e aprendeu cedo que o mundo não tem piedade. Aos doze anos, ela acreditou ter encontrado uma família… mas acabou nas mãos de um homem que tentou destruí-la. Anos depois, ao completar dezoito, ela foge e tenta recomeçar. Sem ter para onde ir, aceita trabalhar como babá da filha de Arthur Monteiro, um bilionário viúvo e frio, marcado pela morte da esposa. Mas o que Alice não esperava era que ele se tornaria sua maior proteção… e sua maior fraqueza. Porque o passado voltou. E o monstro que a perseguiu nunca esqueceu sua promessa.
Ler maisAlguns anos depois — Eu não sou mais bebê. Sophia cruzou os braços. Séria. Convencida. Com cinco anos… e toda a certeza do mundo. Eu segurei o sorriso. — Não disse que é bebê. — Disse sim. — Não disse. — Disse com o olho. Lívia, encostada na porta, soltou uma risada. — Disse mesmo. Olhei pra ela. — Vocês combinaram isso? — Sempre — ela respondeu, tranquila. Sophia assentiu, orgulhosa. — Sempre. Balancei a cabeça. Mas meu peito… aqueceu. Porque aquilo ali… era exatamente o que eu sempre quis. — Então tá — suspirei, me agachando na frente dela. — Senhorita adulta… você vai ficar com a Lívia hoje, certo? Ela estreitou os olhos. — Onde você vai? Arthur apareceu atrás de mim. Calmo. Observando. — Sair — respondeu, simples. Sophia inclinou a cabeça. — Juntos? — Sim. Ela olhou de mim pra ele. Depois pra Lívia. E então… sorriu. — Ah. Cruzei os braços. — “Ah” o quê? Ela deu de ombros. — Vocês são bregas. Lívia quas
Alguns meses depoisO portão não rangia mais.A tinta era nova.Clara.Os muros não pareciam mais altos demais.Nem sufocantes.E, pela primeira vez…o lugar não me deu vontade de fugir.Eu parei por um segundo antes de entrar.Não por medo.Mas por respeito.Por tudo que aquele lugar foi.E por tudo que… deixou de ser.— Vai travar aí ou vai entrar? — a voz da Lívia veio atrás de mim, divertida.Sorri de leve.— Tô indo.Ela estava com Sophia no colo.Que já não era mais tão bebê assim.Mais firme.Mais curiosa.Mais… dona de si.— Olha, Sophia — Lívia disse, apontando — aqui que a sua mãe aprontava.Revirei os olhos.— Eu não aprontava.— Ah, não?— Não.— Mentira.Sophia soltou uma risadinha.Como se estivesse concordando com ela.— Tá vendo? — Lívia riu.Balancei a cabeça.Mas o sorriso… não saiu.A gente entrou.E o impacto veio diferente.O cheiro.O espaço.As paredes.Tudo reconhecível.Mas… leve.As portas abertas.As crianças correndo.Funcionários atentos.Presentes.De ver
1 semana depoisA casa nunca esteve tão… barulhenta.E, pela primeira vez, isso não me incomodava.Eu estava encostado no batente da porta da sala, observando.Só observando.Alice estava sentada no tapete.De frente pra Sophia.Os braços estendidos.Um sorriso que eu já conhecia bem.Mas que, ainda assim… conseguia me pegar desprevenido toda vez.— Vem, meu amor… — ela dizia, suave. — Vem pra mim.Sophia estava em pé.Instável.As perninhas ainda inseguras.Os dedinhos apertando o ar como se procurassem apoio.E, mesmo assim…determinada.Eu soltei um pequeno ar pelo nariz.Aquilo era novo.E não só pra ela.Pra mim também.Lívia estava sentada no sofá.Assistindo tudo como se fosse um espetáculo.Os olhos atentos.Brilhando.— Ela vai cair — murmurou, meio tensa.— Vai — respondi.Ela me olhou na hora.— E você tá tranquilo com isso?Dei de ombros.— Faz parte.Alice ouviu.Sem nem precisar olhar.— Não escuta ele, Sophia — disse, rindo. — Você não vai cair não.Sophia deu um passo.
1 mês depoisO portão do orfanato parecia menor do que eu lembrava.Ou talvez fosse só eu.Talvez fosse o fato de que, dessa vez… eu não estava indo embora sozinha.Segurei a respiração por um segundo antes de entrar.Arthur estava ao meu lado.Presente.Firme.Como sempre.Mas sem invadir.Sem pressionar.Só… ali.Lívia apareceu no corredor antes mesmo de alguém nos anunciar.Como se sentisse.Como se soubesse.E, por um segundo, o tempo não passou.Ela ainda era a mesma.Mas também não era.Mais alta.Mais madura.Mas com os mesmos olhos.Os mesmos que sempre me encontravam… mesmo quando eu tentava esconder tudo.— Alice… — a voz dela saiu baixa.Quase sem acreditar.Meu peito apertou forte.— Eu prometi que voltava.Foi tudo que consegui dizer.Mas foi o suficiente.Ela correu.E dessa vez… não tinha ninguém pra impedir.O impacto do abraço quase me derrubou.Os braços dela me apertaram com força.De verdade.Como se tivesse segurando aquilo há anos.— Você voltou… — ela murmurou n










Último capítulo