Natália
O sol de Trancoso, na Bahia, não era apenas luz; era uma promessa dourada. Três anos haviam se passado desde o nascimento do nosso filho, e a vida, finalmente, havia se tornado o futuro que eu sempre quis, despojado de qualquer gestão ou controle. Estávamos em férias prolongadas, uma pausa sabática que Ricardo, o ex-CEO workaholic, havia abraçado com a devoção de um convertido.
A cena diante de mim era a definição de paraíso. A areia branca, fina como talco, encontrava o mar em tons de azul-turquesa e esmeralda. Nosso filho, um pequeno turbilhão de três anos com os olhos escuros do pai e o meu sorriso, corria pela praia, perseguindo as ondas com a alegria desenfreada da infância.
Ricardo estava logo atrás, com a pele bronzeada e o cabelo desgrenhado pelo vento. Ele não usava terno, nem relógio. A única coisa que ele gerenciava agora era a felicidade do nosso filho. Ele me olhou e sorriu, um sorriso que alcançava os olhos e que não carregava sombra alguma.
— Ele é incansável —