Natália
O choro é alto. Não é um som melodioso, mas um berro primal, caótico, que rasga o silêncio da sala de parto com a força de um trovão. É o som mais real, mais bruto e mais definitivo que já ouvi. Ele não pede permissão; ele apenas é. E, com ele, a tensão que me acompanhou por nove meses, e por toda a nossa história, finalmente se dissipa.
Ricardo está ao meu lado, e eu o sinto. A mão dele, que segurou a minha com uma força desesperada durante as últimas horas, agora está imóvel, mas a presença dele é uma âncora. As lágrimas escorrem livremente pelo seu rosto, sem que ele faça o menor movimento para contê-las. Ele não tenta ser o CEO forte, o homem de aço. Ele é apenas um homem, rendido à beleza e à fragilidade do seu filho.
Quando a enfermeira o coloca no meu peito, o mundo se resume ao calor daquela pequena criatura. A pele dele é viscosa, quente, um milagre que eu toco com reverência. Ele não abre os olhos; eles estão cerrados, inchados pela jornada, mas o peso dele, o cheiro