Eu sangro sozinho. É o meu mecanismo de defesa.
Vítor franze a testa, mas não ousa me impedir. Ele sabe que o tempo de Ricardo decidir por mim acabou.
O hospital tem aquele cheiro estéril de medo e desinfetante. Caminhamos pelos corredores brancos e cada passo meu é um batido de tambor de guerra e angústia. Quando entro no quarto, vejo Ricardo antes que ele perceba minha presença.
Ele está menor. Pálido. O homem que sempre pareceu ocupar todo o espaço agora parece frágil naquela cama impessoal. Fios, tubos, o bipe rítmico das máquinas... o c