Natália
Volto sozinha. Ainda estou aprendendo a conviver com o silêncio.
A porta do apartamento fecha atrás de mim com um som oco demais para um lugar tão grande. Não acendo todas as luzes. Não sei por quê. Talvez porque o escuro esconda melhor o que ficou suspenso depois do que eu disse — como se a casa também precisasse de penumbra para continuar de pé.
Tiro o sapato ainda perto da entrada. Deixo a bolsa no aparador. Caminho descalça pelo corredor com a sensação estranha de estar entrando num lugar que não é mais meu. A casa está limpa. Silenciosa. Organizada demais. Passo pelo quarto e vejo que a cama está feita com rVitor. Do lado esquerdo, o travesseiro dele continua lá, intocado. Não como uma lembrança, mas como se ainda fosse uma opção, uma possibilidade que se recusa a desaparecer.
Não me sento. Não me deito.
Vou até a cozinha. Abro a geladeira sem fome. Fecho. Abro de novo, como se alguma coisa pudesse ter surgido nesse intervalo de segundos. O cheiro frio me incomoda, uma mi