Natália
Volto sozinha. Ainda estou aprendendo a conviver com o silêncio.
A porta do apartamento fecha atrás de mim com um som oco demais para um lugar tão grande. Não acendo todas as luzes. Não sei por quê. Talvez porque o escuro esconda melhor o que ficou suspenso depois do que eu disse — como se a casa também precisasse de penumbra para continuar de pé.
Tiro o sapato ainda perto da entrada. Deixo a bolsa no aparador. Caminho descalça pelo corredor com a sensação estranha de estar entrando num