Mundo de ficçãoIniciar sessãoMedina sempre teve tudo o que o dinheiro pode comprar. Menos a certeza de ser amado de verdade. Multimilionário, influente e acostumado a despertar desejo, ele já não acredita em relações sinceras. Cansado de olhares interesseiros e sentimentos superficiais, decide desaparecer por um tempo e viver sob outra identidade: Rafa, um simples bartender em um bar boêmio da cidade. Longe do luxo e do sobrenome que pesa, ele encontra algo inesperado. Audislane é intensa, determinada e dona de uma leveza que desarma. Formada, mas sem oportunidades na área, encontrou no trabalho no Pubs uma forma de sobreviver sem abrir mão de quem é. O bar é seu refúgio até o dia em que Rafa chega e bagunça tudo. O problema? Rafa esconde um segredo capaz de destruir tudo o que existe entre eles. Quando a verdade vier à tona, ambos terão que decidir se o amor que nasceu no anonimato é forte o suficiente para sobreviver às mentiras, às inseguranças e às feridas do passado. Um romance intenso e envolvente sobre identidade, entrega e a coragem de amar sem rótulos mesmo quando tudo pode ruir.
Ler maisAlguns meses atrás...
Sou um homem frio. Mas não é frieza… é defesa. Aprendi, da pior forma, que o amor pode ser o investimento mais arriscado de todos e o único capaz de quebrar até o homem mais sólido. Eu acreditei em alguém. Confiava tanto que abri minha vida, meus planos, meu coração… e a minha empresa. Poliana. O nome ainda tem gosto amargo. Ela apareceu em um dos eventos de gala da minha rede: o lançamento de uma das minhas safras mais exclusivas de vinho. Bonita, inteligente, com aquele olhar que parecia atravessar as minhas defesas. E eu, que sempre mantive distância de intenções duvidosas, me vi desarmado. Ela dizia que não ligava para o dinheiro. Dizia que me amava pelo homem que eu era fora das manchetes. E eu, tolo, acreditei. Eu tinha trinta quatro anos, era um dos empresários mais cobiçados do país e, ainda assim, solteiro. O status de “solteirão milionário” me perseguia como uma sombra atraía sorrisos calculados, olhares que mediam o saldo bancário antes de medir o coração. Mulheres vinham para ocupar um posto, não para compartilhar uma vida. Eram conquistas, não companhias. Mas Poliana… ela parecia diferente. Ela sabia rir do meu humor seco, me perguntava coisas que iam além do expediente, e, de vez em quando, me empurrava para fora do meu próprio silêncio. Pela primeira vez em anos, achei que o destino havia jogado no meu caminho alguém que não se importava com o meu status e o peso que o meu sobrenome carregava. Por meses vivi iludido. Acordava acreditando que alguém finalmente via o Rafael por trás do título, e não o Medina estampado em capas brilhantes. Havia uma inquietação pequena que eu já não conseguia ignorar uma fresta de desconfiança que cresceu e virou fissura. Poliana sorria, mas o sorriso não alcançava os olhos; havia um riso que não ia ao canto da boca, uma precisão nervosa nos gestos que me corroía por dentro. Por semanas tentei me convencer de paranoia. Até que, em silêncio e sem alarde, paguei para que alguém buscasse a verdade. Por mais que dentro de mim, já sentia que havia algo de errado. O detetive me recebeu numa sala discreta, cheia de arquivos e cafeína. Olhos cansados, mas firmes; mãos calejadas em papéis. Ele estendeu um envelope grosso, pesado como uma sentença. — Abre — disse sem rodeios. Rasguei o lacre e as fotos me atingiram primeiro: encontros tarde da noite, mensagens trocadas, notas sobre reuniões de negócios em que meu nome aparecia como peça de barganha. Havia extratos de transferência em pequenas parcelas, anotações sobre cláusulas que deveriam ser tratadas pessoalmente e prints: conversas em que Poliana e Hugo riam de um plano infalível. — Isso é suficiente? — perguntei, controlando a voz com dificuldade. O detetive teve um olhar seco, sem piedade. — É o suficiente para provar que tem algo errado. Não é apenas suspeita, senhor. Eles arquitetaram um esquema para alterar contratos e retirar participação. E sua namorada aparece em todas as etapas. Senti o mundo girar, mas não fui abduzido pela surpresa; foi como se cada peça daquela traição encaixasse num quebra-cabeça que eu fingiria não ver. Abri mais páginas: e-mails, agendas, nomes de contas suspeitas. Era um dossiê extenso meticuloso, frio e cada evidência era um golpe. — Eles estão juntos? — perguntei, a pergunta mais direta que já fizera. — Sim. Não apenas juntos — respondeu ele, abrindo uma pasta com mais documentos — Estão trabalhando para desviar ativos e depois pedir que o senhor regularize assinando contratos. Querem você distraído para iniciar retiradas. E o pior: combinaram uma saída… quando tudo estiver consolidado. O riso que vira em minha garganta era de angústia. Agora eu teria uma sentença para cada um deles. Mandei uma mensagem para o meu advogado para preparar o contrato: exigências para que Hugo abrisse mão de tudo, renunciasse às participações e deixasse a empresa para ontem e que foi me enviado em casa. O detetive me olhou. — Eu posso expor tudo, senhor. Jornais, conselho, polícia — ofereceu. — Não ainda — respondi, a voz um fio. — Quero que Henrique assine. Quero que ele volte para casa com a ilusão de que venceu. Quero que sinta o peso antes da queda. Mas se ele hesitar…Solto um suspiro, tentando aliviar o peso daquela conversa. Não quero problemas, mal-entendidos, nem confusões dentro do Pubs já bastam as do lado de fora.Rafa me encara com aqueles olhos firmes... atentos. Ele me estuda por um instante silencioso, um segundo que se estica mais do que deveria, como se estivesse tentando decifrar algo que nem eu mesma entendo direito.Até que ele finalmente diz:- Não se preocupe. É só preocupação mesmo. Coisa de irmão.E eu sei que ele está falando a verdade. Pelo menos... por enquanto.- Que bom que esclarecemos. - Respiro aliviada, deixando meus ombros relaxarem. - Mas não precisa me acompanhar. É realmente tranquilo até em casa. Além disso, o Caco vai pro mesmo lado.Passo por ele com um sorriso cansado, mas sincero, aquele sorriso que dou quando realmente estou grata.- Até amanhã, Rafa. E hoje você mandou super bem. De verdade.Não espero resposta. Apenas sigo em direção à porta, mas ainda sinto o peso leve e perigoso do olhar dele nas minhas co
Passo horas treinando sem realmente treinar, sem foco. Cada repetição é preenchida pelo mesmo pensamento: Nany.Droga... seria tão mais simples se ela apenas me deixasse me aproximar. Se ela enxergasse o quanto poderíamos dar certo, o quanto eu poderia fazê-la feliz.Preciso tomar uma decisão. E se eu a convidasse para ir comigo nesse bendito ensaio? Será que ela aceitaria? Será que eu ainda tenho alguma chance?A ideia fica martelando na minha cabeça, latejando como se pedisse urgência. Não posso ficar remoendo isso o dia todo. Só me resta seguir para a empresa talvez o trabalho seja a única coisa capaz de me colocar de volta nos trilhos, ao menos por algumas horas.Mas a verdade é que, por mais que eu tente, meu pensamento sempre volta para ela. Sempre.Tento me concentrar na minha agenda, mas a raiva pulsa como um zumbido constante. Sigo com Igor pelos corredores da empresa, e quanto mais ele me conta sobre o que aconteceu, mais difícil fica manter o controle.- Ele sabia o que est
Encosto a cabeça no encosto do sofá e deixo um sorriso surgir no canto da boca. Não um sorriso de diversão. Mas de estratégia.Ela precisa sentir a minha falta.Precisa se perguntar onde eu estou.Precisar perceber que o balcão, sem mim, fica diferente.É assim que começa.Lentamente.Sutilmente.Entrando nos pensamentos dela... até se tornar impossível me ignorar.E é exatamente nisso que estou apostando.Após o banho, preparo um lanche rápido e me jogo na cama. Cada músculo reclama, cada parte do meu corpo pede descanso... mas minha mente não colabora.Ela aparece.Nany, com aquele jeito leve, risonho, conversando com as meninas como se carregasse o sol dentro do peito mesmo quando os olhos dela dizem outra coisa.Fico pensando em como ela se movimenta atrás do balcão, na forma como morde o canto da boca quando está concentrada... e nisso acabo adormecendo sem perceber.Mas o descanso dura pouco.Meu celular começa a tocar insistente.Abro os olhos devagar e, quando vejo o nome na t
Eu só fiquei ali por obrigação.Disfarce. Controle. Estratégia.Era isso que eu precisava manter nada mais.Mas a noite... a noite estava longe de terminar.Se fosse em qualquer outra circunstância, em qualquer outro bar, eu teria respondido as três meninas com um sorriso malicioso, deixado a provocação acontecer e, muito provavelmente, escolhido uma delas para terminar a noite na minha cama. Sem compromisso. Sem explicações. Sem nenhum laço capaz de atrapalhar o que realmente importa.Mas naquele balcão, com aquele cheiro de madeira e drinks cítricos, meu foco era outro.Meu foco... era ela.A baixinha de olhos capazes de hipnotizar quem ousa encará-los por mais de dois segundos.A mesma que me salvou do ataque em grupo das três moças e fez isso com a naturalidade de quem pressente o desconforto dos outros antes mesmo que eles admitam.Quando ela se colocou ao meu lado, falou por mim e tirou minha atenção da confusão, percebi que a noite tinha ganhado outro rumo. Um rumo perigoso e i
Rafa sorri de lado, coça a nuca.- Ah... fico feliz. Valeu mesmo.Bia quase desmaia.Ele volta a organizar as coisas e, quando vira de costas, Bia me agarra pelo braço.- Meu Deus, Nany! QUASE ENFARTEI! - ela sussurra, desesperada. - Você falou! Você falou mesmo! E ele ficou sem graça! Isso é bom! MUITO bom!Dou risada.- Calma, Bia. Só plantei a semente. Agora deixa o menino respirar.Ela dá um pulinho, tentando se recompor, e vai arrumar umas taças como se nada tivesse acontecido só que com um sorriso tão grande que chega a doer.Rafa olha de longe, curioso com a nossa reação.E eu apenas balanço a cabeça.Isso ainda vai dar trabalho...E por um segundo, esqueço a dor, o medo, os exames, o diagnóstico.Por um segundo, é só ele, o sorriso, e essa sensação estranha de... conforto.Então o bar volta a encher, e somos engolidos por mais uma onda de pedidos, vozes, risadas e copos tilintando. O ritmo frenético pede foco total... mas mesmo assim, entre um drink e outro, sinto o olhar dele
As três riem, divertidas, empolgadas, e finalmente se aquietam. Rafa exala uma respiração pesada ao meu lado, como se tivesse prendido o ar o tempo todo. Sem olhar diretamente, digo baixinho: - Relaxa, novato. Se sobreviver às meninas do balcão, você sobrevive a qualquer coisa. Ele ri, aliviado... As meninas finalmente se distraem com os drinks, e o movimento volta ao ritmo normal. Rafa organiza algumas garrafas, mas percebo que ele ainda está meio sem graça pela situação. Ele limpa o balcão com mais força do que o necessário um sinal claro de nervosismo. - Obrigado. A voz dele é baixa, quase um sussurro. Me viro para ele. - Pelo quê? - Por me salvar de virar o ingrediente extra do drink delas. - Ele dá um sorriso torto, tímido, mas sincero. - Acho que eu teria deixado cair alguma coisa... ou fugido. Dou risada. - Rafa, você só estava sendo você. Nem todo mundo sabe lidar com... investidas diretas. - Diretas? - Ele arqueia a sobrancelha. - Aquilo foi um ataque coordenado.





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