NatáliaEu fico parada diante do espelho por mais tempo do que deveria. Não porque eu esteja insegura — repito isso para mim mesma, como um mantra que tenta afastar a dúvida —, mas porque hoje, mais do que nunca, tudo precisa estar perfeito. Cada dobra do tecido, cada fio de cabelo, cada nuance da maquiagem. Aliso a lateral da saia com cuidado, sentindo a seda deslizar sob meus dedos, um toque suave que, eu espero, possa organizar também o turbilhão de emoções que ainda pulsa inquieto dentro de mim.Branco. A cor que ele escolheu. Virginal. Elegante. Discreto demais para ser casual, bonito demais para passar despercebido. Perfeito. Inclino levemente a cabeça, observando o reflexo de perfil. A luz do quarto, suave e indireta, bate no espelho grande, daqueles que não perdoam nada: mostram a postura, mas também o cansaço que insisto em esconder. Revelam o que a gente tenta disfarçar até de si mesma.— Ele vai gostar — murmuro, a frase soando mais como uma promessa que faço a mim mesma do
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