NatáliaOs dias passam, e eu continuo com essa esperança boba de que, a qualquer momento, a porta vai abrir e vai entrar o homem que ele era. Aquele que me via no meio da multidão, que me fazia sentir segura só de sorrir. Mas, todo fim de tarde, quem volta é sempre a versão atual dele.Nesse dia, ele chega mais cedo. Não avisa, só sinto a mudança no ar do apartamento. O barulho da porta fechando não é um clique, é um som seco e pesado que parece ocupar todo o espaço. Ele não pede licença para estar aqui; ele toma o lugar. Cada passo no assoalho de madeira é firme, calculado, com uma autoridade que me dá um frio na barriga — não de medo, mas de uma expectativa que eu odeio sentir.Estou na cozinha, de costas, terminando o jantar que, de novo, imaginei ser especial. Sinto a presença dele antes de vê-lo, a densidade que se instala. Quando me viro, ele está parado no batente, uma sombra imponente contra a luz suave do corredor.Ele é alto, e a presença dele parece sugar o oxigênio. O terno
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