Natália
Eu estou inconformada. A distância que se abriu entre mim e Ricardo não é apenas física, não é algo que possa ser medido em metros ou quilômetros. É uma distância densa, viscosa, uma névoa impenetrável carregada de coisas que eu ainda não consigo entender, de palavras que ficaram presas na garganta dele e de verdades que nunca vieram à luz. Sinto-me como se estivesse tateando no escuro, buscando um interruptor em uma sala que ele decidiu trancar por fora. Por isso, no exato instante em que ouço o clique seco da porta principal se fechando e o som distante do elevador privativo iniciando sua descida, deixando-me para trás no silêncio sepulcral desta cobertura, eu ligo para Vitor.
Seguro o choro com todas as minhas forças enquanto o telefone chama. Cada toque parece uma batida de martelo no meu peito.
— Vitor… — digo, assim que ele atende. Minha voz falha, quebra-se em mil pedaços antes mesmo de eu tentar controlá-la. O som que sai da minha boca é o de uma mulher que está se afo