E é esse silêncio que mais me dói.
Porque, no fundo da minha alma, uma parte pequena e tola de mim ainda espera que ele implore. Que ele caia de joelhos e diga que tudo é um erro terrível. Se ele implora, eu sei que vacilo. Se ele explica os seus motivos, por mais absurdos que sejam, eu provavelmente fico. Se ele demonstra um pingo de fraqueza real... eu, na minha mania de cuidar, tento salvá-lo de si mesmo.
Mas ele não faz nada disso.
— Tudo bem — ele diz, enfim. A voz é controlada demais, técnica demais para combinar com o estado deplorável em que ele se encontra. — Você tem razão. Não está dando certo mesmo. Já faz tempo.
As palavras dele não vêm acompanhadas de nenhuma emoção visível. Elas vêm organizadas, quase ensaiadas, como se ele precisasse se apoiar em uma estrutura lógica para não desmoronar ali mesmo, na minha frente.
— Eu falo amanhã mesmo com o meu advogado pessoal — ele continua, voltando a ser o homem de negócios. — Nós damos entrada no processo de divórcio imediatamen