O vaso quebrou e ele fez questão de moer os cacos.
Não precisamos dizer mais nada sobre aquele tempo. Aquilo ficou guardado em uma gaveta trancada do passado. Não desapareceu, a gente sabe que está lá, mas mudou de lugar, tornou-se uma sombra que nos persegue.
— Eu renunciei a você naquela época porque, na minha ingenuidade, achei que ele seria melhor para você — Vitor confessa, as palavras saindo com dificuldade. Achei que ele te daria a estabilidade que, achei que estava sendo nobre ao me afastar.
— E agora? O que você vê agora?
— Agora eu só vejo um homem arrogante que decidiu o final da história por vocês dois — ele responde, com uma amargura que me assusta. — Sem te perguntar, nem por um segundo, se você concordava com esse "The End".
Meus olhos ardem intensamente, mas eu me recuso a chorar de novo. Já chorei um oceano.
— Ele aceitou rápido demais, Vitor… — repito, como se precisasse me convencer da realidade. — Isso foi o que mais me destruiu. A facilidade com que ele renunciou a nós.
— Porque, na cabeça dele, ele já vinha se de