Vitor
Ricardo está enterrado em seu escritório quando eu chego. A secretária, uma mulher de eficiência gélida que parece ter sido moldada à imagem e semelhança do chefe, apenas me anuncia com um aceno de cabeça discreto. Aqui dentro, naquele santuário de vidro, aço e decisões multimilionárias, eu não sou uma visita. Eu sou parte da estrutura, o irmão mais novo que compartilha o sangue, mas que há muito tempo deixa de compartilhar a alma com o homem sentado atrás daquela mesa de carvalho maciço.