Piscina, amigas de confiança e muito sol.
— Tudo bem, Nati? Quem é?
— Tudo ótimo — eu respondo, rápido demais, a mentira saindo automática. — É só o Ricardo. Ele liga para avisar que vai precisar viajar a trabalho de última hora. Coisas da empresa.
Ana solta uma gargalhada, voltando a se encostar na espreguiçadeira.
— Sempre o trabalho. Esse homem não para nunca, é impressionante. Ele vai acabar sendo o dono do mundo e não vai ter tempo de aproveitar nada.
Eu entro na água outra vez, sentando-me no degrau mais raso, deixando o sol aquecer meus ombros. Clara se aproxima com duas taças de vinho que já parecem cheias demais para aquela hora do dia.
— Toma — ela diz, estendendo uma para mim com um sorriso cúmplice. — Para equilibrar o universo e afogar as mágoas que você jura que não tem.
Eu olho para a taça como se fosse um objeto de outro planeta. O líquido rubro brilha sob o sol.
— Clara, você sabe que eu não bebo assim, no meio da tarde…
— Justamente por isso — Ana interrompe, pegando a sua própria taça. — Hoje é o dia das pe