Isso não é justo, Vitor. Não jogue o seu passado e as suas escolhas sobre os meus ombros agora
Ele se levanta abruptamente, afastando-se da mesa com uma energia inquieta. Caminha até a imensa janela de vidro que oferece uma vista panorâmica da cidade, uma selva de pedra que ele acredita dominar. Fica de costas para mim, observando o movimento lá embaixo como quem precisa de distância física para não ser atingido pelo que sente.
— Eu sei que você me acha frio, que me acha um monstro sem coração — ele continua, a voz vindo abafada pelo vidro. — Mas a verdade é que eu estava tentando não machucá-la ainda mais do que já tinha machucado.
— Machucá-la mais? — eu pergunto, sentindo uma suspeita corrosiva queimar no meu peito. — O que isso significa, Ricardo? Você estava de caso com outra mulher? Era isso? Alguma secretária, alguma modelo, alguém que não exigia tanto da sua alma?
Ele se vira com uma rapidez felina, os olhos faiscando de uma indignação genuína.
— Não! Nunca houve outra mulher. Você sabe muito bem que eu não sou esse tipo de homem — ele rebate, a voz subindo de tom pela