"Ele cedeu — e eu, cega, tornei-me ao mesmo tempo porto e ruína: escolha e prisão que ele aceita." — Luna Castilho
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Ele cedeu.
Enfim.
Quando os lábios de Fernando se fecharam sobre os meus, algo dentro de mim se acomodou — não por fraqueza, mas por reconhecimento. Toda a muralha que ele erguera, todo o ódio que parecia aço, decaiu num só gesto: a rendição. Não foi só desejo; foi entrega voluntária de um homem que nunca se permitira perder.
Ainda deitada, sinto o rastro dele em cada centímetro do meu corpo. O gosto na boca é forte — misto de tabaco, ferro distante e um calor que me percorre como corrente. As mãos dele, grossas e seguras, deixaram marcas que eu carrego com orgulho: mapas silenciosos de possessão. Eu deveria temer. Deveria fugir. Mas o que me assusta — com uma doçura que me surpreende — é o quanto eu o quero. E o quanto ele, apesar de tudo, me quer.
Ouço os passos dele ao se afastar: lentos, calculados, como quem desfaz um nó apertado. Cada passo reverbera no meu peito