Fernando
O amanhecer sempre foi meu território. Hora em que decisões se consolidam e os fracos ainda dormem. Mas hoje, o sol nasce diferente. Não me chama para a guerra — me chama para permanecer.
Luna está na varanda quando volto com duas xícaras de café. Eu sei que ela ainda não bebe, mas gosta do cheiro. Diz que o aroma ancora o corpo quando a mente quer correr. Entrego a xícara a ela apenas para que sinta o calor. Um acordo silencioso.
— Você não dormiu — digo.
— Dormi o suficiente — responde. — O que eu precisava resolver… já foi.
Há algo novo na postura dela. Não é dureza. É eixo. Luna não se curva mais ao mundo — ela se alinha a si mesma. E isso muda tudo.
— Seu pai não vai parar — aviso. Não como ameaça. Como verdade.
— Eu sei — ela diz. — Mas agora ele sabe que eu também não.
O telefone vibra no meu bolso. O nome que aparece confirma o que já sinto no ar. Lúcio.
— Encontraram o homem do hospital — ele diz. — Não vai falar. Mas o rastro aponta direto para Castilho.
Fecho os ol