“Passei a vida inteira acreditando que sobreviver era vencer. Hoje eu sei: vencer é escolher ficar, mesmo quando o passado ainda tenta puxar você para a guerra.”
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Os finais nunca chegam com estardalhaço. Aprendi isso cedo demais. Eles não explodem — se dissolvem. Escorrem pelos cantos da rotina, se escondem nos detalhes que só quem viveu em guerra aprende a notar: um guarda dispensado sem substituto, um relatório que não exige resposta, um telefone que permanece mudo por horas sem provocar tensão no peito. É assim que entendo que algo terminou de verdade. Não porque venceu. Mas porque deixou de lutar.
O império de Hernán Castilho não caiu com sirenes ou manchetes. Caiu como tudo o que é sustentado por medo: em silêncio constrangido, abandonado pelos próprios ecos.
— Confirmado — diz Lúcio, ao entardecer, com aquela voz profissional que sempre tentou esconder o peso das notícias. — Ele saiu do país. Sozinho. Sem aliados. Sem dinheiro suficiente para comprar silêncio… ou lealdade.
Fec