“Lucidez é quando o medo perde o comando e a escolha assume o leme. Eu não caminho porque é seguro — caminho porque, pela primeira vez, sei exatamente para onde estou indo.”
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O dia nasce sem cerimônia. Não há presságios no ar, nem aquela pressão invisível que costumava apertar meu peito sempre que algo importante estava prestes a acontecer. Não há sirenes internas. Não há fuga mental. O que existe é outra coisa — mais rara, mais difícil de sustentar: lucidez. Uma clareza quase desconfortável, porque não me oferece desculpas.
Visto-me devagar. Cada movimento carrega o eco de noites mal dormidas, de decisões que exigiram mais de mim do que eu sabia ter. Ainda assim, meu corpo responde. Não com pressa. Com presença. O ventre pesa diferente hoje. Não é fragilidade. Não é medo. É consciência. Há alguém aqui dentro que ainda não entende palavras, mas sente mudanças. Sente quando o mundo deixa de girar em torno da violência e passa a girar em torno de escolhas.
Passo a mão pela barriga qua